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Gosto mesmo é de uma boa gata

                      SETE VIDAS

        Levo minha vida com a rotina e os imprevistos do dia a dia, mas eu gosto mesmo é de uma boa gata...

Na minha liberdade de ir e vir como a leveza do pensamento; na minha facilidade de passar pelos muros como um sonâmbulo que, guiado pela força do subconsciente, não vê o perigo e não se preocupa com ele. Na agilidade característica ao meu jeito de ser, de caminhar como uma sombra sem afetar o silêncio da noite - pelas ruas, pelos muros, pelos telhados... Assim é a minha natureza e quem me vê talvez não saiba o que se passa no meu íntimo ao fazer minhas andanças.

Todo animal tem seus pontos fortes e fracos. Gosto de discrição e silêncio nos meus passeios, para observar atentamente tudo que se passa no percurso.

Passo sempre pelo pátio de uma fábrica onde vejo homens e mulheres fazendo sempre a mesma coisa, no mesmo lugar, como se fossem parte das máquinas com as quais trabalham. Passo, também, pelo pátio de uma escola onde percebo, nas várias repartições, algumas pessoas sentadas  aprendendo e uma em pé ensinando. Num determinado momento todos saem para o pátio e se juntam para se alimentar. Quando retornam, é a deixa para eu fazer a minha parte.

Por todos os lugares por onde passo há sempre algo interessante para se ver, tentar entender e tirar proveito da experiência de vida. Jamais entenderei, porém, o que se passa no íntimo  dos homens, principalmente quando parecem preocupados, com  olhares tão profundos que não dá para compreender. Mas se tem um animal que eu conheço bem é o cachorro. O “filho de uma cadela” não me dá sossego e toda vez que me vê me persegue até eu soltar os meus “bofes”.

       Mas se me encurrala sei, também, mostrar os meus dotes. Nesse instante, a adrenalina entra a mil por hora e a mesma energia que arrepia os meus pêlos me faz mostrar as unhas escondidas entre os dedos, arreganhar os dentes, esticar os bigodes e demonstrar a “garra” dos desesperados. Uma força tremenda me domina e me dá coragem para enfrentar e intimidar meu inimigo natural.

Assim levo a minha vida, com a rotina e os imprevistos do dia a dia, mas - como dizem os homens:

       “– Eu gosto, mesmo, é de uma boa gata!...”
Lourenço Oliveira
Enviado por Lourenço Oliveira em 04/03/2006
Reeditado em 16/05/2008
Código do texto: T118416
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Lourenço Oliveira
Salesópolis - São Paulo - Brasil
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Lourenço Oliveira