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ESCOMBROS, NADA MAIS...

Meu mundo caiu...
Mais uma vez desabou...
Os arquétipos das minhas inspirações ruíram e vieram abaixo, mais uma vez...
Os pilares das minhas esperanças não suportaram o peso dos meus sonhos e desejos...
As estruturas da minha coragem e resignação quebraram-se ante a carga da realidade mórbida e fria que insiste em destruir vidas e arrazar sentimentos...
E agora sigo em meio ao que restou diante de mim: um mar de escombros...
Escombros das palavras que não pronunciei...
Dos projetos que não realizei...
Das músicas que não cantei...
Dos abraços que não dei...
Das declarações de amor que não fiz...
Das conciliações que não tentei...
Das promessas que não cumpri...
Dos cumes que não alcancei...
Das “loucuras” as quais não me entreguei...
Das decisões que não tomei...
Das batalhas que não enfrentei...
Dos acovardamentos aos quais me rendi...
Das “coisas” que não descartei...
Das transformações que não operei...

Sou como um general diante de escombros de uma batalha perdida, sozinho e cambaleante, tentando compreender a derrota, assumir e arcar com os prejuízos...
Ou como um engenheiro diante de um edifício desabado, desapontado e triste se perguntando: Onde foi o erro: de cálculo, de materiais, de mão-de-obra, de fundações?...
De que adianta contar os mortos como o general ou catar amostras da edificação como o engenheiro, se tudo se transformou em canteiro de desolações?
O que fazer agora em meio a tantas cinzas invisíveis e imponderáveis?
A quem recorrer, senão ao próprio íntimo e arcar com a dor da impositiva sentença!
A quem culpar, senão a mim mesmo que sonhei em transformar um meio áspero e hostil num reduto de paz e alegrias, sem perceber que ninguém pode mudar a direção da “vida” e daqueles que ainda pensam que vivem!
Que chance teria, pobre sonhador que sou, diante de um sistema estruturado, consolidado e envaidecido de suas “conquistas” e pleno em seu “poder”?
Com apenas um sopro ele me lançou em terra, que agora agonizo e sofro...

Mas, por outro lado, por que me renderia a ele que insiste em tentar subornar meus sentimentos, usurpar minha vontade, minar minha fé e ludibriar minha razão, eu que não me encaixo em suas normas e ditâmes e nem me interesso pelas suas efêmeras “delícias”?...
Prefiro ficar em meio ao montante destes escombros que herdo... E ainda que solitário e desolado, encontrarei forças para me levantar novamente e criar destas cinzas que restaram novas esperanças, aspirações, músicas e poesias, mesmo sabendo que num futuro próximo ou distante, um novo cataclisma ocorrerá, e como uma tsunami devastadora devastará tudo que for erigido, reduzindo mais uma vez minha vida, meus sonhos e minhas energias a novos e desolados escombros.

Mas cumprirei novamente a insensata sentença das irrecorríveis leis, e começarei tudo outra vez, tantas vezes quanto a minha fé e vontade me promoverem, porque é melhor que eu permaneça fiel aos princípios que escolhi e assumi e por ele desvaneça, do que venha engrossar o vale dos covardes desertores que abandonaram seus ideais.
Tião Luz
Enviado por Tião Luz em 04/03/2006
Reeditado em 12/11/2012
Código do texto: T118621
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Tião Luz
Poços de Caldas - Minas Gerais - Brasil
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