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Falando do sonho




Eu me encontro, me perco; tudo do avesso, repetição, inconstância e distorção. É melhor, muito melhor, calar quando não se está disposto a compartilhar algum (novo) sentimento, e seu sentido. Que sentido? Um sentido de sonho, imperfeito, porém sonho – desfavorável! Não preciso de todas as respostas (suas ou minhas), nem preciso encontrar as definições...Neste devaneio eu posso ouvir a sua voz, outras vozes, e a voz do meu coração.

Tiro a máscara e guardo a emoção na gaveta.

Fugir é melhor, mas pra onde? Posso fugir de tudo e de todos, de todas as coisas e de todas as pessoas, reais ou não, no entanto, não posso fugir de mim mesma! Escrava de atos, pensamentos, atitudes impensadas, infundadas. Pensar seria o caminho. Mas pensar nem sempre é o exato, ou nunca é o exato. Buscar o sentido, reconstruí-lo, limpa-lo; posso fazer isso muito bem.Sei que posso, mas será que assim eu desejo? Primeiro deixar acontecer, pode ser mais fácil e prazeroso também.

Afinal o que minhas tolas palavras transmitem senão um misto de paranóias, condensadas. Me deslumbro com o agora e com a mágica que eu consigo criar, sim, sou capaz, digo isso todos os dias; (flores saindo da boca) eu gosto daquela chuvinha fina, que molha bastante e quase não faz barulho! Quero sossego, me espera que volto logo.

Tenho um segredo, eu não sei o que é, mas tenho um segredo, e hora ou outra eu vou descobrir o que é. Eu sou feliz só por ter um segredo e por ter alguém com quem possa compartilha-lo.Bem, alguém para vive-lo (segredo e sonho), é esperar um “pouco demais”. Pra que isso tudo acontece? Não vou entender o ontem no hoje, também não garanto que vou entendê-lo no amanhã, sabe se lá quando. Não quero pensar nisso.O que outrora servira, nesta hora angustia. Odeio o arrependimento, mas é impossível não senti-lo, não vive-lo.

Estou sozinha e as letras me fazem companhia. As paredes contemplam minhas idéias, elas aprovam, reprovam e o pensamento, este é amplo e ocupa diversos espaços, tempos, formas...Para uma vida recheada de vírgulas e espasmos, altos e baixos, as coisas que acontecem sem serem planejadas são as melhores. E aquelas que serão para sempre lembradas. O que fica é o sonho, o que não foi vivido, esse fica, esperando pelo momento de ser, quem sabe um dia, uma outra lembrança, empoeirada, contaminada, mas lembrança.


:: Texto de 2004 ::
Anaturva
Enviado por Anaturva em 27/03/2006
Código do texto: T129314
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Sobre a autora
Anaturva
Jaraguá do Sul - Santa Catarina - Brasil, 31 anos
19 textos (712 leituras)
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