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IN_SANIDADE?



A confissão da dor é necessária. Torna-se insuportável e explode.Não adianta tentar detê-la ou mascará-la.
Hoje ela brota de mim, em jorros, impossivel de estancar, sem nenhuma explicação.
Então, despejo, derramo tudo sobre o solo ardente que me queima a alma.
Exponho-me, expio. Peço a absolvição.
A vida retornou a mim após longo período de ausência e, agora, sem mais nem porquê, abandona-me.
Choro enquanto confesso, pois não vislumbro a menor explicação.
Tanto amor e, depois... nada.
A imensa paixão que nos alucinava esvaiu-se, assim, num repente?
Confesse...
Por que caminho tortuoso se perdeu a criatura pela qual me apaixonei? Onde foi parar o sonho?
Em que beco escuro escondeste a loucura que nos inebriava a cada instante, deixando aos dois extasiados, tomados por uma entidade chamada paixão, que insistia em conviver com o calor de nossos corpos?
A euforia de tais instantes seria imaginária? Estaria eu assim tão envolvida, a ponto de ver e sentir em ti emoções inexistentes?
Enlouqueci?
Saí do marasmo para penetrar no mais profundo sofrer dos sentimentos em desalinho.
Meu peito grita. Não há mais como calar.
Anseio por libertar-me e,ao mesmo tempo, manter-me atrelada a esta loucura de querer-te e odiar-te.
Nesta ambivalência louca, vejo-me culpada e inocente, numa viagem alucinante, pela angústia do abandono.
Porquê? Explica-me, porquê?
Confesse...
Não alcanço o sentido disso tudo. É vão o meu anseio, na busca  de entender.
Era minha partida desejada? Premeditado o teu fugir? Que motivo te levou a escolher o caminho do abandono sem palavras, se até por um olhar nos compreendíamos?
Tal pensamento me é inaceitável. Ainda sinto o cheiro de teu corpo.
As palavras que me sussurravas ao ouvido, o desejo que eu via brotar de ti, foram apenas ilusão de minha mente?
Nunca.Não creio. Eu vivi junto contigo tudo isso. Eu bebi do teu sexo, loucamente, sentindo as vibrações da tua pele ao roçar a minha, gemendo de prazer.
Momentos que não me serão roubados, por mais que tentes ausentando-te, escondendo-te, fazendo de tua presença apenas uma sombra a rondar meu leito, tomando-me nos sonhos, e abandonando-me tão logo surja a primeira réstia de luminosidade em cada manhã.
Mesmo não recebendo a absolvição, quero de volta essa loucura. Pois, insana como estou, viverei, então, de quê?
Jamais sonhei com nada além do amor,de tudo o que oferecias e de tua entrega, que eu sei, era total.
Responda...
 Dos laços que nos uniam, o que restou?
Tomaste outros caminhos, como se em mim não pulsasse um coração, não houvesse alma, e minha insanidade fosse tanta que despercebido seria o teu partir.
Onde enterraste o sentimento gritado com tanta intensidade nos momentos de maior intimidade?
Covarde!
Sumir assim, de repente, mascarar-se, rir de mim.
Confesso...
Se estava morrendo em vida, feito Lázaro ressuscitei, para sentir a intensa dor do descaso e me esvair em tua ausência.
É impossível ver  o sol, havendo tantas nuvens negras a cobri-lo.Da mesma forma, não há como eu possa visualizar qualquer razão para o calvário em que me encontro, sendo que ainda ontem foi meu domingo de ramos.
Tania Melo
Enviado por Tania Melo em 18/04/2006
Código do texto: T140814

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Sobre a autora
Tania Melo
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Tania Melo