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Sem descer do salto


 
Cansei das horas compridas , das esperas sem fim, acho que perdi a paciência ou será que mudei o rumo dos meus anseios?
Não me preocupo se meu cabelo está vermelho ou se está comprido, eu quero é olhar no espelho e me gostar com ele preso ou todo desarrumado.
Se perco o sono no domingo pela manhã,  pra que enrolar na cama, de um pulo já calcei o tênis e vesti o abrigo, melhor é botar o pé na trilha, cansar o corpo enquanto a mente descansa. Tem coisa melhor que ver gente de verdade? Ainda não descobriram um anti- idade, nem um remédio eficaz contra depressão, e o que a gente faz pra enganar o que não dá pra mudar? A gente enfrenta e zomba!
Não consigo ficar quieta, então cansei de ficar sentada esperando, ora se minha cabeça pensa, pensa e eu não mexo um só dedo; de que me adianta pensar? Eu agora meto os peitos, rs, nem tanto porque eles nem são tão grandes.
Tenho os olhos girando nas órbitas, ansiosos e sempre procurando; então porque fechá-los ? Dou a volta ao mundo com esse olhinhos abençoados que sabem o que querem e principalmente o que não querem mais. Que eu fomente sonhos desde que eu consiga adentrar os meus, que eu suscite desejos desde que tenha os meus saciados; estabeleço assim o jogo real, onde faço parte de cada cartada e não mais sou figurante inexpressiva.
Um brinde a cada vitória e a cada queda de braço, ulalá pensa que não dá pra comemorar? E como dá!
Que bom cair no sono sem neuras e sem traumas, hoje não foi igual a ontem que também não será igual amanhã, e eis que, se meu sono não me foi roubado eu vou ter mais uma noite perfeita; é assim que é, quando o mundo lá fora lhe quer apático mas você decide que seu mundo não é tão grande, mas cabe direitinho dentro da vida que tem.
Seja eu minha primeira parada em cada dia, minha primeira certeza, para que eu não me canse nunca mais de gostar de mim.
Em cada vez que eu lembrar Einstein com a língua exposta serei eu mesma, pra mim e pra você,  não pense que eu mudei, sou ainda a mesma boba alegre de sempre, apenas mais leve e mais desencanada, espia no buraco da fechadura e verá que malcriada que ainda eu posso ser.
Angélica Teresa Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Almstadter em 24/04/2006
Código do texto: T144237

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Sobre a autora
Angélica Teresa Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 62 anos
1054 textos (55628 leituras)
25 áudios (3274 audições)
1 e-livros (247 leituras)
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Angélica Teresa Almstadter