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A BURRICA DOIDA EM RUA DE MÃO DUPLA


Um objeto conservado em pedra guardava com sigo, a mão da velha, das mais feias talvez a mais cúmplice do feio de palavras que ela fazia questão de reprimir.
Dizia-se uma muda intacta, passava noites a pensar em nada,se dizia uma antagônica más nunca sarcástica.
Certo dia premiaram-lhe com um luto, que nela se fazia absorto com aquelas roupas negras em tom pastel; parecia a própria defunta, com seus tortos dentes expostos na nudez de resmungos:
__ Não aparenta ser mãe , más já pariu seis!
__ Sabe-se que três não vingaram
__ O certo é que ela fez o óbvio.
__ O óbito é a precisa aspiração , de uma mulher que se fez de morta por toda a vida.
__ Parem com esse hem, hem, hem fofoqueiras,vós micês nada nada tem a ver conosco; se a mesma acometeu suicídio foi por insanidade.
__ Vamos embora chamem a Maria.
Lá estava ela recostada junto a morta, a lhe cochichar amparo.
__ Vamos logo, sua lesma, precisamos furtar o tempo.
E lá se foram em caminhada,Maria ao fundo, fingia cãibras.
__ Maria amanhã tens que acordar cedo.Pois como sempre terá que compensar o dia. E para tanto Maria agradecia o dia e adormecia aspirando o tudo.Logo cedo;pois não gostava de cachorros, latia sozinha com os ratos e rastezando cumpria agastos; fazia tudo quanto não podia,zunia com gatos, até que por sorte chegava a noite e por alguns minutos ela se sentia na calda do tempo.
A cada dia que se passava tornava-se mais incompreesível. Os provérbios que ela dizia se esvaiam por sonetos de falsos “Beethovens” inventados pela mesma.
Apreciava no entato uma coisa mais do que tudo,persuadia-se em cada pensar, era o seu clímax de existência.
Acordara hoje como sempre,e como nunca, preveu a chegada do pai.
__ Venha cá minha cria!
Sempre no negro das palavras ele me perseguia, e se dizia paterno para com seus herdeiros; herdantes precisos da miséria .
__ O que queres senhor?
__ Vá me comprar fumo,mande por na conta.
E lá se ia Maria em um de seus melhores momentos de mera vivência; até o momento em que se recordava, a que ia, e a quem ia. Destroçada em ressalvas e crédulos de obriga.
Chegava sem pressa,com gritos e socos; doía-lhe a alma, simples querelas no olho, e com sovos previa a si próprio, propriamente não sabia fazer nada, nem mentir conseguia.
Na verdade ampliava-se dia após dia, na discussão da interpretação de informações obtusas que Maria, sabia conseber, a si mesma num sofá, enorme com filas, de órgão de bichos da seda. Más o que Maria não retrucavaera o silêncio, podia passar horas em silêncio, que repercutiam por gritos de dor, que Maria jamais resolveu:
Se é canhota ou destra, já que nas mãos não tinha uma rua; ao menos sabia que era doida, pois ao fundo espelhava-se no burro,que inconseqüente temia uma richa. Más Maria era fraca e fazia questão de saber que era burra na ciência de sua vida, pois do sim buscava um não , e nunca de antemão se dizia uma muda.


PANDORA AEDO
Enviado por PANDORA AEDO em 08/05/2006
Código do texto: T152620
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Sobre a autora
PANDORA AEDO
Tangará da Serra - Mato Grosso - Brasil, 33 anos
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PANDORA AEDO