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Plágio no Recanto das Letras

Sei que muitos hão de selecionar e ler este textinho...
Talvez ele seja mais lido do que seria com outro título.
O tema parece um noticiário, não é?
Na verdade, ele é um estado de espírito.
Por isso o classifiquei como geral e não como homenagem:
para vasculhar a curiosidade dos humanos e até mesmo dos poetas,eles e seus super-poderes.
Porém o que me dilata no momento é o êxtase da pergunta e não a perplexidade da resposta.
Batizo de plágio porque já não sei se o que escrevo é mesmo somente meu, mas um excerto deste romance que iniciei com tudo o que leio neste espaço criativo, que me tem ensinado a, além de descortinar tantos textos belos, encontrar beleza em todos os textos que se me aparentam.
Acabei tornando-me insaciável leitora de centenas de autores e, de conseguinte, uma poetisa que escreve incontida e incontrolavelmente, buscando o poetar em cada impressão.
Essa relação que se estabeleceu entre mim e os textos assemelha-se à entrega desmesurada de dois seres entrelaçados num ato de amor que não desejam tenha fim, de modo que já não se percebem dois mas apenas um, em estado absoluto de regozijo e eternização.
E nesse instante de profundas sensações a que chego como incontida e fogosa amante das letras, eis que fecundo o rebento dessa culminância inundada de paixão, restando em exânime folha cheia de versos híbridos e aperfeiçoados, que dão à luz palavras e contextos, vontades e prelúdios, sob forma de uma poesia que não mais assino sozinha, posto que tem como autores todos aqueles que escreveram em min'alma as suas verdades, agora também minhas.
Falo de plágio por estar me desprendendo do meu original estático, copiando no pensamento e conclusivamente no papel um trecho de cada um, como que numa melodia imaginária. Pareço possuída pela imagem alheia, trocando energias e melancolias, aprendendo e multiplicando e isso me faz vibrar abruptamente, num frenesi inimaginável que me vem fluidamente de cada um que aqui no recanto habita, sendo que muitos já incorporei ao coração como verdadeiros amigos.
Não sei se consegui externar todo o contentamento que trago no âmago de minha existência, por ter encontrado o Recanto das Letras e me deparado com tantas mentes emotivas que me ensinam incansavelmente.
O que sei é que me tornei muito diferente do eu original e perdoem-me os grandes e todos autores de cujas idéias tenho cópias eternizadas no meu espírito poético. Reconheço: o plágio tornou-se irrecusável e imprescindível desde que me mudei definitivamente para este lindo e fértil sítio literário.
Finalmente, se eu, usurpadora da criação, não tiver transmitido nada de novo neste pergaminho cujo título bem chama a atenção, talvez consiga o desiderato de estar entre os poemas mais lidos nos sete últimos dias, não é mesmo?
 
Nalva
Enviado por Nalva em 13/05/2006
Reeditado em 17/05/2006
Código do texto: T155440

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Sobre a autora
Nalva
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 49 anos
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