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PRECISO SER TÃO FORTE

Vejo tudo rompendo-se em volta do meu ser,
a presença, a ausência, os paradoxos humanos,
filosofia ao chão, seres fortuitos,
tamanha desilusão, a vontade de gritar...
Mas preciso ser tão forte,
tenho meu rebanho a conduzir nas brandas noites de outono...
Urge-me levantar das amarguras mais uma vez e seguir,
careço ajudar outros pastores.

Vejo lágrimas envidraçando-me a visão,
cai-me uma, atrevida, incontrolável, rápido seco-a com a mão,
essa mão que traz um cajado e um manto,
tamanho relento a um desabrigado, vontade de me esconder...
Mas preciso ser tão forte,
se falhar, o rebanho sucumbe, os pastores se entregam,
as noites nos devoram...
Tenho que me apresentar do roto esconderijo e seguir.

Sinto nos pés a dor da peleja,
nos lábios a secura provocada pelo sereno implacável,
na testa uma côncava ruga, trago a respiração intermitente,
tamanho cansaço da estrada, a vontade de parar...
Mas preciso ser tão forte,
se hesitar não chego onde há primavera,
meu rebanho se desgarra, os pastores se embatem,
o dia não amanhece sob o sol...
Tenho que caminhar sobre essas pedras nas noites semi-frias de outono.

Mas preciso ser tão forte porque líder fui empossado para sempre...
Dessa sina me delicio e me atrofio...
Uma vez guiando pastores e ovelhas, jamais me cabe fraquejar...
Por mais que me pese, por mais que me venha fugir,
não há tempo para chorar, não há esconderijos que escondam,
não há cansaço que estanque nem dor que me desanime...
Só a alvíssara da primavera renova essa força,
vigor que me impõe o dever de guiar
e me constrói forte assim e me ensina coragem,
o sorriso nas adversidades, a palavra certa para alentar,
o punho que conclama à batalha os seguidores,
o outono que um dia se fará primavera,
a impossibilidade intrínseca de renunciar...
Então preciso ser tão forte.
Nalva
Enviado por Nalva em 18/05/2006
Reeditado em 26/01/2007
Código do texto: T158327

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Sobre a autora
Nalva
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 49 anos
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