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LA BELLE HISTOIRE D'AMOUR: o mito grego de ORFEU E EURÍDICE

             ORFEU E EURÍDICE (em ponto pequeno)



                                                À memória da
                                          minha vovó materna
                                          AKSENIA SCHAWIRIN



             “_ Orfeu, que amor foi este?”
                (Virgílio. “As Geórgicas”)

     
     Quando Orfeu — cantor, músico e poeta — tangia as cordas da lira de Apolo, acompanhavam a sua voz magnífica os animais, as árvores, as pedras... Enfim, todos se reuniam para ouvir as suaves e encantadoras cantigas do aedo.
     Orfeu era casado com a adorável ninfa Eurídice, filha de Apolo. Porém, a morte prematura levou a jovem esposa de Orfeu. Morrendo Eurídice, os alegres cânticos do amado cessaram. Orfeu, inconsolável, juntou lamentos tristes a sua música. Os mortais e os deuses ficaram comovidos com as súplicas de Orfeu. Tão bem Orfeu soube chorar a sua mágoa, que os deuses do Reino do Hades (Mundo dos Mortos ou Reino dos Infernos) decidiram devolver-lhe a amada. Orfeu desceu, então, ao mundo das sombras, em busca de sua Eurídice. Durante a descida, Orfeu continuava a cantar os tristes cânticos...
     As sombras exangues o escutavam, e choravam. Os deuses terríveis ficaram com as faces banhadas de lágrimas. Hades e a esposa — Perséfone — entregaram a sombra de Eurídice a Orfeu. Entretanto, Perséfone impôs uma condição:
     “_ Leve-a daqui, Orfeu – disse a deusa dos mortos. Mas saiba que vocês devem passar os portões dos Ínferos sem olhar para trás. Se você virar a cabeça e lançar seus olhos para trás, Eurídice estará perdida para sempre.” *
     Orfeu saiu à frente e Eurídice o seguia. Ouvisse o que ouvisse, ele não poderia olhar para trás, sob a pena de perdê-la. Contudo, quando o casal não estava longe de transpor o limite e alcançar a superfície da terra, a luz do dia, “Orfeu sente medo que Eurídice desapareça e, ansioso para contemplá-la, cheio de amor, volta para ela os olhos, e Eurídice desventurada, não encontra mais que o ar inconsistente.” * A amada bem depressa se tornou uma sombra que se esvaiu, dessa vez para sempre. Eurídice morreu pela segunda vez. Eurídice disse a Orfeu o adeus supremo.
     Atingido duas vezes pela morte da esposa, Orfeu, tomado de tristeza e terror, tangendo as cordas, suplica a misericórdia dos deuses subterrâneos, mas eles permanecem inflexíveis perante o triste canto de Orfeu, não mais permitindo que Eurídice voltasse a sair do mundo das sombras. Orfeu, solitário, se escondeu em meio às montanhas das florestas, até ser morto por um grupo de furiosas mulheres da Trácia, que se sentiram ultrajadas pela fidelidade que Orfeu dedicou à memória de Eurídice.
     O corpo de Orfeu foi despedaçado... A alma de Orfeu precipitou-se no mundo das sombras, onde reencontrou a sua amada Eurídice. A lira de Orfeu foi transportada ao céu, onde se transformou numa constelação.



* “As Metamorfoses”, de Ovídio.

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O trecho acima foi extraído do seguinte livro:

MEDEIROS, Sílvio. “Dossiê: Orfeu despedaçado (Roteiro de Pesquisa: obra em andamento)”. Editora Opinião E. Ltda. 2001. (ISBN 85-88864-01-0)



PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
Campinas, é outono de 2006


SÍLVIO MEDEIROS
Enviado por SÍLVIO MEDEIROS em 13/06/2006
Reeditado em 14/06/2006
Código do texto: T174954

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Sobre o autor
SÍLVIO MEDEIROS
Campinas - São Paulo - Brasil, 61 anos
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SÍLVIO MEDEIROS