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Meu novo eu

Não sei se vim ao mundo pra escrever, mas ainda bem que eu posso. Escrever é meu absinto, é o que me dá essa embriaguez e me deixa com olhos lânguidos e eu bem sei o quanto me custa essa falta de lógica nas frases e essa desfragmentação de idéias diluídas em papel colorido.
Às vezes me deito estranha, viro pra lá e pra cá e penso sem parar. E é quando fico absorta em mim mesma, alienada, sem ética, escrúpulo ou malícia.
Agora pra mim é assim. Deixo minha pele do lado de fora e entro na vida em carne viva. É doloroso, mas necessário esse compromisso com a verdade nua e crua. A gente se acostuma a ser livro aberto. A gente se acostuma até com a dor. Ainda mais eu que sou tão entregue. Sou sempre assim: meio feliz, meio estranha, meio interessante e interessada, meio pedindo ajuda, meio sem aceitá-la, mas não posso mais dar lugar ao "não querer". Não posso e também nem quero mais.
Eu plantei nele a semente de mim e agora sem ele sou só isso que vocês vêem: um ser incompleto, oco e em tons pastéis, rezando pra que o amor chegue logo e me faça plena.
Também adquiri o hábito de me olhar no espelho. Meus olhos me comovem implacáveis. Eles sempre me fazem assistir o documentário sobre mim mesma, mostrando meus feitos e fracassos. Depois fico aqui sentada querendo colo, um cappuccino e um abraço apertado. Coisas da depressão. Ela fica ali garimpando a minha alma e no final não acha nada. Fiquei nessa luta pra decidir se fico do lado de dentro ou de fora. Fiquei dentro, mas nem sempre tenho como provar pra ele. Mas sei que estive amparada mesmo sem sentir, pois só isso explica eu ainda ter oxigênio agora, bem administrado e suficiente pra me manter longe dessa agonia. Mas não sem antes ter recebido essa prova pessoal de péssimo nível que me deixou marcas eternas. Ainda não recebi o prêmio de ficar deitada e não ter que ouvir o que não quero e se passou há algum tempo. Isso ainda não sei quanto custa, mas quero pagar pra ver. Guardei no coração a minha essência intacta e paguei caro para poder ver os meus erros e dizer que lamento. Não sei se é por merecimento, mas recebi a chance de saber que amanhã tem mais, mais chances de que eu possa fazer mais e melhor e reconstruir os elos quebrados. Vi que aprender é gigante, que não sou nada ainda, mas estou aprendendo a ser. Agora penso assim: se a primavera acabou, que eu use fitas coloridas desenhadas com flores, mas que eu não deixe de ter flores, nem que seja só no meu coração. Agora me deixo levar pelo prazer do ócio, ou pela luta na arena, o que for mais viável na hora. E que eu tenha o amor ao meu lado mesmo que eu esteja quente demais e vire cinzas ou enquanto eu estiver descobrindo a alma que eu descobri que ainda tinha...
Kilya Stella
Enviado por Kilya Stella em 30/08/2006
Reeditado em 06/07/2010
Código do texto: T228682

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Sobre a autora
Kilya Stella
Curitiba - Paraná - Brasil, 42 anos
27 textos (2504 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 16:36)
Kilya Stella