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"Venha comigo
Eu irei tomar conta de você"

Calmamente, você pode sentir cada fio
O subir seus pés, ao tocar seus dedos. Frios e delicados.
As unhas machucam prazerosamente sua mão
Uma estrutura de osso, tão perfeita. O tecido tão magnífico.

"Você sente alguma coisa querido? Está se sentindo bem?"
Ela toma você sem perceber. Antes mesmo que possa se alienar de seus caprichos já se tornou um dependente.
À medida que sua mão escorre, como água, transpassando todos os contornos do corpo... Por que é tão macia? Por que cabe na palma de sua mão? Por que tudo parece ser feito para ser feito como é?

"Algum problema meu bem? O que está acontecendo?"
Você não nota. Apenas não para.
Continua escorrendo as mãos entre as coxas, continua sentindo. Por que precisa ser perfeitamente harmônico? Porque não pode simplesmente ser algo repugnante? Você simplesmente não consegue parar.

"Querido? Você está me ouvindo?"
É por isso que você a ama tanto. É por isso que não consegue dizer não, mesmo que isso o machuque. É porque é tão mal destruir uma harmonia, é porque é tão ruim não aceitar a simetria.
Você foi pego. E mesmo quando o dia amanhece, você sabe que sentirá falta, porque não saberá mais onde colocar suas mãos. Porque seu corpo foi feito para o dela, e sem o dela, o seu não faz sentido algum.
O cheiro que ela evoca tira seu pensamento de qualquer linha. "Venha comigo" ela diz "venha comigo para que eu possa me explicar".
E os olhos dela passam entre o seu, e o sorriso dela rasga sua pele sem ao menos tocar. Porque basta que ela peça e você irá rasgar sua roupa. "Porque eu o amo tanto!".

Você brinca com seus seios, suga seu umbigo, sente seu suor. Ela apenas sorri e reflete toda a luz do lugar. E você então nota que não conseguiria deixar de tocá-la, porque é só para isso que foi feito. E nada mais.

Suas mãos em sua nuca (ela brinca com o pescoço tentando fugir delicadamente - o sorriso continua), a temperatura atrás de seus cabelos. Como você consegue sentir cada fio?
E a medida que você se embriaga no sabor, ela foge deslizando pelos próprios cabelos. Ela se esconde atrás dos cachos negros (estamos dentro de uma foto em preto e branco), e mistura seu sangue com seus pelos, seu vinho e seu pão.

E você a afoga em seus carinhos
Como ultima tentativa de mantê-la só para você
Ela apenas suspira uma ultima vez, com olhos assustados pela força de sua mão, formando um enorme colar em seu pescoço
Então agora ela é sua
Maria Aguilar
Enviado por Maria Aguilar em 07/09/2006
Código do texto: T235070
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Sobre a autora
Maria Aguilar
São Paulo - São Paulo - Brasil
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