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Clochards

Esta é uma frase qualquer, uma frase qualquer e nada, qualquer um, qualquer coisa, escreve-se para qualquer pessoa, come-se de qualquer maneira, murmura-se qualquer grunhido, canta-se qualquer sorriso, e qualquer um, qualquer dois, ou três, mesmo que sejam mais saberão o que tem que fazer, não se escreve qualquer coisa à toa nem que o sentido possa passar desenganado pelas bobagens ditas e repetidas qualquer coisa à toa sempre resta coitada caída, e no fim se percebe triste, qualquer coisa vive, qualquer coisa suja, qualquer coisa imunda de trapos velhos resta no chão sem sentido de uma piada de Paris, qualquer coisa suja e seu cachorro doente morre sem morrer naquela velha piada pichada em qualquer velho muro de qualquer velho prédio nessa velha Paris, essa pequena velha cidade de trapos sujos que resta sozinha com o seu cachorro e dorme sozinha com seu cachorro e grita sozinha com o seu cachorro enquanto espera o tempo passar, enquanto espera o tempo passar e outra coisa suja, outra coisa feia, outra coisa qualquer e o seu cachorro chegam assim sem muito o que dizer, qualquer coisa sobre um cigarro, fogo, sobre acender, e qualquer coisa suja sai de um bolso imundo entre dentes podres na boca de outra coisa qualquer, qualquer coisa velha bebe qualquer coisa suja, qualquer coisa vinho, e sorri a barba nojenta como que para quebrar qualquer idéia gente que qualquer um possa ter sobre a infelicidade de qualquer coisa jovem , qualquer coisa podre, qualquer coisa que se alimente de restos de comida ao lixo, de lixo podre na boca quase sem dentes fedendo o corpo todo e bebendo vinho sem parar, e bebendo vinho rindo para outra coisa feia que abraça ela a garrafa e cospe vermelho imundo o rio senna , qualquer coisa suja disputa a boca de dois cachorros doentes, qualquer coisa nojenta se mistura entre dentes podres nas bocas mortas de outras coisas vivas, qualquer coisa sexo surge entre trapos sujos, qualquer coisa suja de pernas abertas, de gemidos contidos, e qualquer coisa ardida de sujeira assada, qualquer coisa sexo, qualquer textura viscosa, e gozo sujo rápido sujo de qualquer coisa calada, de qualquer coisa que resta parada enquanto outra coisa de prontidão late assustada para o carro escuro que vinha passando a toda velocidade em plena madrugada.
Chico Motta
Enviado por Chico Motta em 08/09/2006
Código do texto: T235647
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Sobre o autor
Chico Motta
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 30 anos
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Chico Motta