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Eleições Para Vereador 2004

  Um rosto se desenha por cima dos braços da força.Tem o seu tapete, um agregado ruivo de folhas rabugentas, a sustentar o seu sorriso.

  É um céu escuro, de massas pontiagudas.

  Os carros vão em fluxo contínuo enquanto  ocalçadão parece andar para mim, um movimento ondulatório em um momento extenso.(Desci do ônibus à procura disso, eu sei).AO longe vejo um brilho vermelho de dentes.

  O termômetro grande, de sorriso quadrado, embaralha seus algarismos-dedos que são dedos, e os quebra.O chacoalhar dos paralelepípedos agora é em mim, um formigamento a entrar e sair do corpo, e o asfalto travou sua própria existência.Tudo por causa do tapete,com seu rosto no meio e os braços dançando em volta.

  Com olhos soldados à cena,há folhas de sugestão outonal dançando contra a vontade para mais perto da confusão seca.Braços negros, luvas sujas e mangas amarelas parecem não querer saber: sua exaustão é bem maior.Me sinto tomado por contrações feito neblina,porque o tempo não passa.Graveto de autoridade, a vassoura suga o espaço branco-areia (afinal,toda a areia, com suas combinações e contrastes de cores a moldar sensualidades amáveis sob a roupa das moças, fica um pouco mais atrás, ali perto do mar) entre elas, riscando o chão com um som áspero, e o tapete colorido com uma tintura inerte só quer se apresentar melhor para o seu totem.
  O automóvel vem com a lerdeza massacrante das rodas crispadas de pregos a passar, levantando e dobrando a pele da estrada e expondo as minhas vísceras.Mesmo se fizesse sol, eu não gritaria tanto quanto gritam os meus órgãos de boca fechada.
  O rosto é retangular em sua matéria, mas guarda desenho.Moreno,já de suas rugas, a beleza que tem é de sua proposta.Na parte de baixo do retãngulo, seu noem e o seu número.Alguém está a juntar folhas a pedido desse patrão.

  Há poeira agregada sob essa boa intenção.Poeira suja,poeira que inflama rasgando poro e desabrocha botão inflamado.O sol agora é uma fina película prateada, e a entranha revoltosa deixa mais aguda.O carro agora ri, arrotando em sue carburador uma despedida (nem está tão longe assim,palhaço), enquanto brota em mim uma vermelhidão tão louca que essas folhas senis jamais irão conhecer.Eu, que sou voyeur de luxo e pus no meio de tudo uma vidraça que sequer deixa o vento me atingir, e na verdade fui tragado para um embrulho perante o ambíguo.
  Minha vontade sobe feito chama até os sinais: é vermelho.Pés escorregam para fora e conhecem o frescor de apontarem para a outra calçada.


  RF
  06/09/2004
Rodrigo Fróes
Enviado por Rodrigo Fróes em 20/09/2006
Reeditado em 23/09/2006
Código do texto: T244961
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Sobre o autor
Rodrigo Fróes
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 30 anos
45 textos (2358 leituras)
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Rodrigo Fróes