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Quem somos nós? Somos só meras marionetes nas mãos de alguém?
Qual o tamanho da dor de um ser que finalmente vê que a sua vida nunca esteve sob o seu controle? Dói, dói muito. Dói muito também ver o amor ir embora, aos poucos, se esvaindo por entre meus dedos trêmulos. Dói ver o vazio dentro de mim ficar imenso e cobrir o mundo. Dói não receber valor por suas verdades, somente créditos pelas mentiras manipuladas pelo meu outro eu que me enlouquece e faz com que meu auto-flagelo seja maior e mais dolorido. A dor desse meu eu é grande e o sangue jorra quente quando chicoteio as costas purificando o corpo inerte e dissipando as culpas. Esse outro eu, nem sei direito quem é, quem foi. Ouso dizer foi porque agora não sou mais. Aliás, agora não sou mais nada. Sou só um punhado de memórias e recortes dos dias felizes numa caixa esquecida.
Mas sei que posso ser mais, muito mais. Mas onde anda a minha força que não a sinto? Onde andam o perdão, a compreensão, a paz e o amor eterno do mundo? Onde anda o meu verdadeiro eu?
Então é isso? É só isso que guardaram para mim, uma vida de quase amor, quase perdão, quase renascimento, quase felicidade? Esse meu eterno questionamento vem da revolta que me corrói e me abre feridas todos os dias.
A cada dia que recebo a dádiva de estar viva, eu morro mais um pouco. Morro de dor, de tristeza, de não sentir o beijo, de não fazer amor, do abraço ser mais frouxo, do olhar ser menos intenso. Morro muito, morro pouco e sigo desperdiçando o presente que recebi do universo.
Minhas lágrimas são mais salgadas, meu olhar tem menos brilho, meu sorriso é menos branco, minhas mãos são menos firmes e meu amor é a única coisa que cresce cada vez mais e me joga na cara que a minha cota de dor está apenas começando.
Vontade de desistir dele, de mim, de tudo... Mas como sou marionete, não tenho vontade própria e sigo por esse caminho escuro, sem saber o que vem adiante, me embaraçando em minhas cordas, prendendo uma de minhas pernas e sigo pulando com um pé só, pisando torto, correndo o risco de cair, mas não sei parar. Não sei e nem posso, porque o presente que ganhei, a minha vida, não pertence mais a nenhum dos meus eus.
Kilya Stella
Enviado por Kilya Stella em 22/09/2006
Reeditado em 06/07/2010
Código do texto: T246489

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Sobre a autora
Kilya Stella
Curitiba - Paraná - Brasil, 42 anos
27 textos (2504 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 01:14)
Kilya Stella