Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Esperança

Quem viu, não vê mais. Foi enterrada ontem, ao meio-dia, meio-pau, meia-vida. Sem platéia, sem velório, sem aplauso, sem poema. A esperança esvaiu feito água de chuva, lamacenta, emporcalhada, lágrima entristecida, desaguada em vala comum, em terreno baldio, sem tambor de funeral ou compasso de melancolia. Foi, desfazendo o dia, recriando o escuro, escuridão, descortinando o palco sombrio da desilusão, em que se deu o falecimento. Esperança desiludida de esperançar, desesperançada de esperar, desacolhida do encanto, desencantada de seu feiticeiro. Morreu-se como uma mágica, desaprendida pelo mágico, desfeita na cartola do peito, no desterro da alma, no compasso uníssono e fúnebre da racionalidade humana.  
Gabriel Calixto
Enviado por Gabriel Calixto em 13/10/2006
Código do texto: T263662
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Gabriel Calixto
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
13 textos (1103 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 18:40)