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VERDE


É como se eu andasse pelo meio de uma avenida movimentada ouvindo alguma música muito alta que me faz dançar entre os carros que cegos não me vêem e continuo dançando num ritmo qualquer só para destoar a música. Ah e aqueles olhos que piscam em todos os faróis dum verde desconhecido me alcançam pelas pernas num arrepio de arrancar a roupa e jogar por baixo de algum ônibus sem controle de velocidade e a música aumenta todos os compassos em arcos no meu corpo soando águas  e suando notas ao inverso das bocas abertas lambendo outras bocas e eu ainda quero só aquela que viaja longos caminhos sem conhecer meus passos numa avenida que não pára e eu continuo andando entre faróis de todos os tons e semitons de verde e azul em cada paralelepípedo não pisado. E meus ombros andam por espaços que os pés não alcançam e eu queria tanto te ver sem roupas nos lados dos meus lados de quinas e esquinas melodramáticas de gemidos soltos nos ouvidos dos motoristas que paralisam semáforos veeeeeeeerdeeeeeessssss e danço rindo toda uma loucura ritmada nas cordas vocais da tua alma que sonho ais e uis e meus deuses e tantas outras obscenidades entre quatro paredes e ainda caminho dançando entre meios e meios da avenida que não me leva a você.

Paula Cury
Enviado por Paula Cury em 15/10/2006
Reeditado em 15/10/2006
Código do texto: T264731

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Sobre a autora
Paula Cury
São Paulo - São Paulo - Brasil, 47 anos
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Paula Cury