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Ode à essa via que me talha e rude.

Dentre as duas vertentes que fizeram a junção em Torgal cortando numa torques de ferro a ultima resistência da wermacht, iskandar caiu.
As carpideiras teutônicas e o tanger dos sinos acompanharam a descida do elmo cardeal em direção aos seus forjadores, antes de sair à luz do sol já correto saber que seria e diziam outra vez sobre ser muito antes, o que se confirmou ao não fazer efeito algum.
E os homens sendo destruídos clamaram aos céus.
E seus clamores rompendo os céus foram ouvidos.
As hordas angelicais inexistentes até ali irromperam das estrelas mortas. O beijo da criação brilhou sobre elas uma vez mais e Iskandar voltou a ter um destino sobre a Terra. Isso viu naquelas noites quem relatou essa maravilha aos contadores de lendas e por isso mesmo tornou a viver: em súplica ao seu Deus da ilusão.
Eu que estive entre os que ouviram, deixei os circunstantes ao vê-lo na porta no mesmo tempo que ele se adiantava para mim e dizia “animo e bom êxito, excelente Ravel” em seguida me chamando novo Jambres acolheu as chamas de seu exílio em quatro sinais e me deu adeus em ídiche.
As sombras dançantes das labaredas eternas esvoaçavam sobre a planície adormecida e eu já perseguia a nêmesis viva com sua dívida ao renascente em mente e a lembrança da fúria em sua hora certa.
Trezentos mil filhos do céu também.
Ali aconteceu caminho súbito pela ultima vez, pela mudança em dificultar que se tornou piorada e começou a lavar em sangue os contratos entre nós. Etherechigal lamentou que tudo terminasse assim, eu também e Iskandar chegou. Ao longe avistamos os contornos fulgurantes da belonave estelar que descia com a terrível nêmesis em seu seio de metal.
Pertencia a estirpe dos imortais, se elevou de lá e diante de nós desceu em presença.
Mesmo prevenido em sentido contrário admirei a índole de seus senões. Maravilhou-me a sincronia das cláusulas em sua barganha com as dores que deixamos para trás visando estar ali.
Como o preceptor de Etherechigal havia julgado com esperança confiamos nisso, a caixa foi entregue a Iskandar que voltou a morrer insuflando os que temiam esse desfecho a uma vingança irrefletida e como todas assim fadada ao fracasso.
Mas o que acontecia na sombria terra esquecida já não era da nossa alçada. Um ser sem rosto prenunciou um relâmpago da paz partida e por ser humano a mim não foi permitido ver a ruína do caminho súbito e as girândolas de sangue que ela espirrou aos quatro ventos.
Eu olhei depois do cessar daqueles sons e as flores de Cassiopéia se espalhavam pelo ermo desolado, só e mais senhor do mundo que a ruína deixou, retornei ao calor dos sonâmbulos tendo nas mãos um amuleto sangria lápis-lazúli que a partida da belonave também deixou.
Tenho olhado para o mundo desde então. Sem desdém, sem lástima, sem paixão...Ele, mundo, adormeceu em sua própria essência, perdeu o sentido do sagrado, do ausente e se entregou a uma autofagia enlouquecida fazendo jus ao medo e o arrependimento que fizeram efeito surgir logo após a sua tão amorosa e cheia de bondade, criação.
Não precisa de Deus porque tem sua própria demiurgia.
Não precisa de magia porque tem tecnologia.
Não precisa de sonhos porque tem ideologias.
Não precisa de nada daquilo em que a sabedoria dos antigos tocou.
A si se basta.
Aguardo a ceifadora enquanto bendigo as crianças e os animais que visitam meu jardim de miosótis, nardos e borboletas luminosas.
Neo-Jambres
Léo Pandorinho
Enviado por Léo Pandorinho em 23/10/2006
Código do texto: T271667
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Sobre o autor
Léo Pandorinho
Vitória - Espírito Santo - Brasil, 32 anos
5 textos (117 leituras)
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Léo Pandorinho