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Zénite

Hoje estou colorindo-me, já passei minhas mãos nas horas azuis do mar e do céu a pensar em despir-me na tua imaginação.

Joguei um cobalto na linha do zénite e com branco clareei o horizonte, fiz o reflexo com pincelada diluída só para ver o sonho sombreando na superfície da água.
E assim fui entre o mar da tela e o céu da poesia em uma tarde que espreguiçava a saudade no meio do nada, carregando meu sentir em ti.

O sol falou mais alto aquecendo-me... Imaginei-te assim, chegando com tua galhardia em passos de rei dono do poder, a sorrir, sabendo que eu aqui esperava a noite chegar na tela fazendo a luz incidir da esquerda para direita na pincelada do azul cerules dando voltas em mesclas com violeta cobalto.

Assim eu esperava o tom do crepúsculo refletir e a tela mergulhava pedindo as estrelas, a lua só para estar completa enquanto eu escondia-me no branco titânio apenas a olhar-te passar assim perto de mim, nesta mistura irreal que nem a terebintina conseguia diluir.

Sei bem que me olhas também, sem nada dizer, seu passo muda na minha direção quando se aproxima do jardim, mas és rei e eu aqui apenas uma tela, então apenas te olho e vejo ir embora.

Olho-te bem próximo do zénite onde o céu é mais denso quando a lua brilha sobre teu corpo lá na varanda dos teus versos, tocando a lira com toda magia que me faz sentir voar em poesia.

Olho-te em uma pincelada vertical quando as estrelas do céu se aproximam brilhando nas estrofes, fazendo carícias em meus cabelos no meio das sombras da noite. Eu apenas te sinto, pois se der um suspiro acabo revelando meu esconderijo, na copa de um arbusto em verde vissie.

Olho-te em um matiz de siena quando em um título teu vejo que se perdeu em um momento de surpresa, quando sentiu mais de perto meu perfume. Eu aqui nesta tela iluminada nas
linhas d´água escutei teu gemido no último verso.

Então a noite vem assim chegando e nós dois perambulando pelos corredores infinitos das cores e letras, em jardins escondidos de nós mesmos, mas delirantes na verve que nos toca fazendo a alquimia gritar em um ritmo de vermelho Veneza a paixão na inspiração tua que caiu nas minhas mãos em alisarim.

Então, com palheta rodeada de cores lanço um feitiço na tua metáfora, com ela faço um jogo de luz na tua rima marcada só para seduzir tua real criação. Depois beijo sem pensar o teu soneto no meio do corredor de uma cor primária.

Só assim descubro que quando pensei estar escondida te olhando, na verdade eram teus braços de métricas me cercando e carregando em tercetos de haiku, a fim de me fazer amar em um romance de mistério tão colorido na luz bruxuleante de uma tela. Depois me arrastar sem pressa até um quarto de arte, no matiz erótico de um escândalo entre um rei e uma simples tela...
Penélope*M*


Marli Franco
Enviado por Marli Franco em 07/11/2006
Reeditado em 12/04/2009
Código do texto: T285164
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Marli Franco
São Paulo - São Paulo - Brasil
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