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Hoje entendo o que queriam dizer quando falavam"o quanto doí uma saudade"
E doí mesmo...
Lembro do primeiro beijo, uma coisa que nunca senti, mesmo antes tendo outros pares pra caramba....quando segurou na minha cintura, minhas pernas amoleceram, e se não fosse ele a me segurar, teria me esborrachado, me entreguei a aquele beijo e só despertei porque ele disse: 'Não vale gemer....."
Voltei...Corei...
Eu andava atrás como quem estuda a presa.....Ele sorria e ria divertido.Era seguro demais, a presa era eu.....
Eu sabia, mas gostava de brincar de seduzi-lo.
Me tinha simplesmente....Mas gostava de me ver ali,feminina, dele...Outros desejando, outros querendo.....E eu sempre a mão.
Todos sabiam....
Não me importava...Era verdade,até gostava, era uma espécie de status, do que alcançamos e os outros não tinham, e nem poderiam, porque paixão assim, não acontece sempre.....
Sentia orgulho do homem que tinha; E sei,que ele de mim.
Quando a gente brigava, e ficava sem falar, sempre acontecia alguma coisa.......Um episódio que queríamos trocar, mas a birra não deixava.....E olhávamos e sorríamos, somente pelo olhar...
Uma conversa toda....Com inicio, meio e fim. Quase gozávamos de nos ver.
Muito profundo...
Verdade também que quando eu estava triste, enciumada, seja qual sentimento que queria esconder, se tornava impossível.....Ele simplesmente lia e eu me aborrecia comigo mesma, por ser assim, tão dele, sem conseguir nunca a seus olhos disfarçar...
Ele não conseguia viver longe de mim, eu também o sabia....Me deixava em casa na madrugada e vinha logo cedo...me acordava.
Eu saia da cama sem saber meu nome, desacreditava que tão já pertinho de novo,  e sentava no colo dele satisfeita,enquanto o enlaçava.
Ás vezes ia para sua casa.....A saudade não suportava pequenas horas, pequena ausência...
Com aquele sotaque sulista dizia"-Vai Fabi.....que te espero o que preciso for..."
Mais um dia juntos? Nem precisava pedir...
E me agarrava a ele sonífera ainda dentro do elevador...Me jogava contra aquele corpo que me queria..e me protegia.
A gente nunca disse eu te amo....Nunca assumimos compromisso...E era tão gigante o que sentíamos...
Sei que a vida foi passando...Ele ria no dia seguinte: "Dormiu encaixada em mim, no meu peito, eu em ti...."
Corava de novo....Sempre fui tímida.
Ele cuidando para eu não me perder na rodoviária quando viajamos....
Ele me buscando em um parque campestre porque tinha me perdido-Não tenho senso de direção...rs
Ele me trazendo de volta..
Ele beijando outra e eu quase morrendo em uma canto....
Eu beijando outro e ele socando a mesa de raiva....
A gente nunca disse eu te amo...
Foram shows, era família amiga, passeio com cachorro,súpermercado, lenço que ele estendeu quando chorei e achei lindo porque só tinha visto isto em filme...
Foi o sexo que ele dizia rindo  enquanto eu brincava  "Voce não vai conseguir" e não conseguia mesmo, mas tentava!
Sabe....De tudo o que mais lembro, era o nosso silêncio.....E como ele me entendia, com um olhar.
Nunca vi um homem assim.
Quando ele se foi, foi bem.....Bem entre nós...
O dia era comum mas triste, e escrevi uma carta enorme, pedi que só lesse dentro do ônibus....
"Eu sei e voce sabe, já que a vida quis assim, que nada neste mundo, levará voce de mim....Eu sei e voce sabe...."
Ele se despediu com um beijo demorado, um "Q" de quem não quer ir, e uma confissão declarada no meu ouvido:
"-Sempre te amei"
Na minha carta,tenho certeza que o surpreendi também
Terminava com:
" a distância não existe.. "
 e  "eu te amo" em 123 idiomas,
o coração inventou alguns..
 
  Sempre te amei,
também.




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05/11/06
www.nandaevc.blig.ig.com.br
 
nandaevc
Enviado por nandaevc em 20/11/2006
Código do texto: T296075

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Sobre a autora
nandaevc
São Paulo - São Paulo - Brasil, 41 anos
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