SOL

Dias ensolarados podem ser previstos pela meteorologia. Sim, podem. Evidente que se a meteorologia for carioca, por exemplo, isso fica mais fácil. Já para uma meteorologia curitibana, isso nem sempre é tão simples. Mas, vez ou outra, lá vem o Sol por cá também. E o melhor Sol é o imprevisto. Você acorda com o quarto em penumbra, cortinas cerradas, dá aquela espreguiçada gostosa, pois o dia anterior foi delicioso, e, quando abre a janela, tchan-tchan-tchan-tchan, um céu azul rasga-lhe a retina.

Daí você sorri e sabe que aquilo não estava previsto na meteorologia. Aliás, talvez estivesse previsto, mas não na meteorologia. Vinha de outras previsões, mais etéreas. Mas, claro, você não se dá conta, porque, simplesmente, não estava esperando aquele Sol. E eis o melhor Sol: o inesperado. Dourado, lindamente dourado, quente, que lhe recebe gentilmente, que chega de mãos dadas com uma brisa que sopra vida de primavera, cujas flores aplaudem e assopram velas.

Ah, não se engane, este não é um Sol de meteorologia. As nuvens podem ser. Não o sol. Ele vem empurrando-as, mesmo que elas não queiram, e aparece do nada. Diz “oi” e irradia, sem precisar fazer muita força. Surpreendendo, assim, os moços e moças do tempo. Aí você se pergunta “de onde veio este Sol?” De inspiração. Há, sim, o Sol de inspiração. Daquele capaz de fazer o poeta voltar a escrever, o músico voltar a compor e o mundo engatar uma terceira e partir em frente, girando com suas engrenagens azeitadas novamente.

Um viva ao Sol inesperado. Desses que vêm presentear um dia especial. Desses que clareiam aqueles que merecem. Que adentram por portas, janelas e todas as frestas. Que acarinham a pele e não pedem protetor. Um Sol dos mais gostosos, que não quer se pôr e se põe inteiramente à disposição de quem o quer.