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Desde o princípio, era o verbo


Se bem antes já te sabia; era porque já meus sentidos apontavam por onde buscar, e se estavas preparado onde quer que fosse, é porque também me sabias de algum modo.
Há um tempo em que toda a acomodação parece esquecimento e toda agitação soa como novidade, mas nem tudo que revolve nossos jardins internos é tão novo quanto parece, da mesma forma que o que para de soar aos quatro ventos, não há perdido o encanto. Ficam protegidos das intempéries os frutos maduros, porque esses sim foram colhidos em tempo certo e delicadamente acondicionados por gestos mansos de quem sabe o que tem nas mãos.
Pouco há que se dizer, já que simples palavras não traduzem sentimentos complexos. Em nenhum dicionário estão contidos verbetes com capacidade tão ampla de sentidos para verbalizar o que só gestos e olhares falam.
Perde-se no vão das entrelinhas o significado das sensações; caminham pelo espelho dos olhos os sentidos e penetram na tez de quem sabe ler e traduzir o que é servido em porções generosas de palavras dedilhadas com habilidade. Nem tudo é tão óbvio quanto parece, como nem tudo é tão exato como se imagina; construímos catedrais, embalamos nossos sonhos, mas para adentrá-los, só convidados que tenha a chave certa. Não passarão de palavras ao vento versos e verbos inexpressivos o dito em forma odes e prosas escorridas, o que se despimos diante de olhares tolos, ou endurecidos pela razão.
Antes bem antes, quando só de trevas era a imensidão, pelo verbo se fez a luz, e pelo verbo se fez a criação, a gênese é o verbo, antes e depois...
Cá onde te encontro nas ranhuras da pele, exteriorizo o verbo para que saibas onde e como me achar nesse emaranhado de rabiscados verbos...
Angélica Teresa Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Almstadter em 12/07/2005
Código do texto: T33239

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Sobre a autora
Angélica Teresa Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 62 anos
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Angélica Teresa Almstadter