COMPARANDO

A cabeça da gente

é como um novelo de lã ou de linha:

contorcida, enrolada;

que quando usada

pode criar diversas formas.

A existência da gente

é como um agulha de tecer:

pontuda ou envergada;

que quando acionada ou motivada

tecem flores ou teia - segurança ou armadilhas.

O mundo da gente

é como a prenda já pronta:

feia ou bonita, mas formada;

depende do ponto de vista

e da mão que a executa.

Quanto à habilidade da gente

o sucesso ou o fracasso

de um trabalho manual

depende inclusive,

da qualidade do novelo,

do tipo de agulha,

do visual do ponto.

A continuidade da vida, porém

depende exclusivamente

da cabeça da gente,

da existência da gente,

do mundo da gente.

E os tempos marcham,

fatalmente para o bem ou para o mal.

Não há meios-termos

nesta vida da gente.

dezembro/1977

Marisa Silveira Bicudo
Enviado por Marisa Silveira Bicudo em 30/01/2012
Reeditado em 02/05/2014
Código do texto: T3470634
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