Terra arrasada
Jorge Luiz da Silva Alves




     Eu crio, sinto, choro, trabalho, me acabo e arregaço-me: nada muda. A planta do meu futuro desenhara-se na prancheta dos clichês, onde o limite é definido pela temperatura do meu sexo, ou seja: quanto mais próxima da equatorial linha do chauvinismo, mais fértil será a superfície do meu futuro. Húmus adequado para que artrópodes e anelídeos depositem suas larvas e faça-me de hospedeira adequada às suas sangrias. Tento me desvencilhar da inevitável esterilidade, mas vem mais uma noite, outro dia, o marasmo...


     ...e nada muda: eu saio, bailo, me acabo – apenas para alimentar...


    ...clichês. E vermes...  


   (foto: Luis Mendonça - 1000 imagens)

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Jorge Luiz da Silva Alves
Enviado por Jorge Luiz da Silva Alves em 13/04/2012
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