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Fugaz


Talvez se estivesse sentada sobre uma pedra poderia dizer da vida que é fugaz. Fugaz como o vôo da borboleta que passa e se não se repara perde-se a brisa amarelada ou multicolorida que embala os olhos.  Fugaz como um som que de triste se torna alegre apenas por sorrir ao invés de chorar qualquer coisa que também fugaz passou e não voltará mais.  Poderia também, quem sabe pensar nos amores que passaram, fugazes, pois, deixaram pequenas marcas aqui e ali e nada mais que algum risco numa folha branca, fugaz como o raio de sol que aquece o rosto em meio ao vento gelado da cidade e a gente nem se dá conta de ter roubando um pouquinho de energia. Energia fugaz que se esvai em qualquer ato após outro ato e tantos atos fugazes como uma peça de teatro que acaba e nunca mais será igual como antes.  Talvez fosse bom dançar passos fugazes de nunca pisar no mesmo lugar para não cansar o chão ou o mesmo pedaço de músculo endurecido ao toque do dedão do pé. Ah, sim, poderia imaginar quão fugaz seria teu corpo sobre o meu, num momento apenas de dizer “por que não?” e porque sim se todos os momentos são fugazes como respiros e pufs lá se foi mais um e mais um e ninguém percebe como se rouba o ar e como se devolve outros ares fugazes como um adeus na rodoviária para um nunca mais com certeza de querer que se seja feliz. Feliz ou triste em tudo o que é fugaz  como uma lagrima que rola e a gente engole. Foi-se para nunca mais ser a mesma. Seria mais um presente a passagem  do velho sorveteiro com seus picolés de todos os sabores tão fugazes na língua e na gengiva. É. Eu bem poderia sentar numa pedra qualquer e pensar em tudo o quanto é fugaz e também isso seria fugaz em cada pensamento que passa, passa, passa e volta sempre de forma diferente mesmo que todas as ondas do mar tenham a mesma cor branca, também elas são fugazes pois vem e desmancham-se ao ir e já não são as mesmas.  Fugaz seria divagar por horas sem levantar da cadeira enquanto a vida, fugaz que é, corre lá fora. Ando fugaz na tristeza e também na alegria e que bom é ser assim, poder chorar e depois sorrir e depois chorar de novo para rir mais uma vez e saber que tudo é fugaz até que tudo seja apenas fugaz como simplesmente viver.
Paula Cury
Enviado por Paula Cury em 21/07/2005
Código do texto: T36296

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Sobre a autora
Paula Cury
São Paulo - São Paulo - Brasil, 47 anos
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Paula Cury