...bolha molhada

Você não chegou ao três! Contou "um", "dois", mas que droga!

Enquanto você desaguou na minha cara eu me escondi bem aqui na sua boca, parecia que eu te perdia bem aqui na sua coxa. Me doía a sua forma abolhada, cara de lágrima parada, sem força pra cair da porra da cara, nem tão fraca pra sumir invisível. Quis me atirar no seu peito e mordê-lo, arrancar a pele na unha. Me dava raiva cada gota que você babava, uma a uma você me babou a sala toda. Era tanta água que na janela eu sufoquei atirada, afogava a minha cara no vidro e quase me cegava aquela cor embaçada.

Mas que droga! Eu ainda estava no dois e você do lado de fora da casa. Eu no vidro da sacada, aberta, toda molhada e você saindo pelo portão. Eu que nunca gostei de secar lágrimas.