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NO INSTANTE EM QUE ME DEIXASTES...

Foi difícil... quando vi que te distanciavas dos meus olhos, as lágrimas escorreram em torrentes, o dia se
fez noite e meu coração emudeceu...
em meus ouvidos, as palavras finais soavam como
chicotadas impiedosas, cruéis, dolorosas...
Não!! Eu me recusava a acreditar nelas, a admitir a dor que já latejava em todo o meu ser...
o corpo que um dia foi aquecido
pelos teus carinhos, parecia transformado numa estátua gélida e sem vida...
perguntava - me, entre o turbilhão de tantas outras indagações, o que
poderia ter acontecido para que um amor como o nosso acabasse assim, de repente...
não encontrei resposta...
Quando tu desaparecestes ao longo da estrada,
iniciei meu caminho de volta, também...
mas não sabia para onde, apenas queria sair dali...
dali, do lugarzinho onde nos encontrávamos sempre,
onde nos amávamos, de dia sob o Sol, entre as sombras
das frondosas árvores, ou sob a luz argêntea do luar, deixando que
apenas as estrelas soubessem dos nossos segredos, esperando que
a brisa não os ouvisse, não os espalhasse...
eram nossos, só nossos...
À minha frente, a estrada se abria como se fosse o caminho para o próprio inferno...
o inferno que eu iria viver, dali em diante, sem mais
sentir teus beijos ardentes, úmidos de desejo pelos meus lábios que, entreabertos, ansiavam por eles...
teus abraços apertados como agora sentia o coração,
sabendo da solidão que me aguardava...
não mais sentiria teu corpo, pensava chorando,
enroscado ao meu, me inflamando de sensações
delirantes, ardentes...
Nuvens negras toldaram o Sol que iluminava meu mundo... perdí - me entre pensamentos obscuros...
repensei minha vida, rebusquei sentidos para que
ela não secasse e morresse dentro de mim, enquanto eu me moveria como um zumbi sem alma, o olhar cheio de nada...
A noite chegou... Deus!!! Como pudestes permitir que eu perdesse a razão do meu viver???
Oh, perdoa... perdoa que estou delirando de dor...
A tortura de olhar para o espaço vazio desse quarto é inimaginável...
penso em quantas vezes o tive em minha cama,quantos
êxtases presenciaram essas paredes nuas e cheias de sombras negras, agora, e onde víamos apenas desenhos, fantasias, quando o vento fazia balançar os galhos da árvore, diante da janela, movendo as sombras, tornando - as vivas, na nossa imaginação...
E agora...agora... quanto tempo resistirei à solidão dos meus braços vazios do seu corpo? Ao frio que domina minha alma? À saudade que já me acorrenta em sua armadilha grotesca e me devora, insaciável???
Eu não sei... só sei que, de ora em diante, horas não terão sentido...
minha vida deixou de ser no instante em que me deixastes...
Arianne Evans
Enviado por Arianne Evans em 07/09/2005
Reeditado em 22/09/2005
Código do texto: T48492
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Sobre a autora
Arianne Evans
Curitiba - Paraná - Brasil, 66 anos
695 textos (57310 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 20:33)
Arianne Evans