Tudo igual após o ontem

O sol escorre em luz quente pelas janelas dos edifícios,

na manhã que levanta em novo dia.

A vida tece apressada pelas ruas:

colcha de sentimentos, solidão em meio às multidões.

Caminhos que se seguem no mesmo compasso e

na mesma vontade de ganhar novos rumos.

Que haja luz e paz, amor, água e alimentos nas

sombras ofertadas pela boca da noite, depois do labor de cada um.

Lares e portas denotando abrigos. Que sejam fartos de proteção!

Que crianças sejam partos de sorrisos para os adultos em regressão.

Vai-se o tempo na viagem sem fim.

Carrega consigo marcas, para dar a flacidez da pele;

limo para a concretude das pedras; lodos para guiar as águas nos canais; cenas para se fazer a história.

Bailam conversas entrecortadas pelo barulho,

levadas ao vento, depois de ouvidas.

A rotina faz as nações de pessoas,

cada qual presa nos seus limites de convívio e individualidades.

Há mais que dinheiro nos cofres da alma,

mas reluz somente o ouro da ganância.

Há mais que linhas e digitais nas palmas estendidas mendigando moedas. Diferenças que não precisavam ser.

Mas, eis que existem; e os atos só finalizam quando se fecham as cortinas. E o palco da vida é extenso e as cortinas precisam de mais tecidos. É vida que segue implorando vida, enquanto o sol escorre em luz quente. É apenas mais um dia, após o ontem.

Takinho
Enviado por Takinho em 03/01/2018
Reeditado em 25/08/2020
Código do texto: T6215763
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.