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NA PROCURA DA LIBERDADE

NA PROCURA DA LIBERDADE





Hoje é um dia triste!
As lágrimas insistem e persistem dos meus olhos saltarem, deslizando pela face entre sulcos vincados pela vida. Não sei bem porquê! Só sei que elas não param e não hesitam em deixar-me perturbada. Mas ao reviver o passado, ao viver o presente e ao tentar descortinar o futuro, começo a entender o que se passa. Vivi e vivo enclausurada nesta prisão que a vida me preparou. Armadilha? Não sei, mas a prisão parece ser perpétua pois não vislumbro a liberdade, ainda que me sinta uma lutadora numa procura incessante do que os meus sentimentos necessitam para poder viver.
A escravidão acabou! Dizem! Mentira! Porque mentem assim?
A escravidão existe, ainda que dissimulada, bem patente e bem diante dos nossos olhos.
Não entendo como numa era de Liberdade, onde todos podem fazer o que lhes dá na "gana” se encontre sempre quem queira ser dono de alguém. É impressionante ver crianças que são maltratadas até à morte, que são roubadas e molestadas, que têm fome, que sentem desde a mais tenra idade a volúpia da maldade humana e que chegam até a matar. Porquê? Mulheres são escravizadas, ignoradas em todos os aspectos especialmente na sua capacidade e inteligência. Há também as que não passam de simples criadas, que são ameaçadas de morte, que são assassinadas. Elas sofrem em silêncio a dura realidade da escravidão. Também homem e mulher como seres humanos a sentem na vida. Eles suicidam-se, eles endoidecem, eles matam, eles arrastam-se como seres desprezíveis que para a sociedade nem merecem viver. Onde está a razão? Porque têm fome e se  revoltam. Porque não há onde ganhar o pão de cada dia, o pão que sustentaria a família. Porque não ganham o suficiente para fazer face ao aumento de custo de vida, que cada vez mais é evidente e escandaloso, porque seus filhos crescem, com muito custo e não podem concretizar os sonhos do futuro, mesmo os mais insignificantes, ainda que estudem, até queimarem os "fusíveis". Enfim, gente que vive e que morre todos os dias, no seu dia a dia sem nunca conhecerem o verdadeiro significado da palavra Liberdade. Onde é que ela está? Se ela existisse para todas estas pessoas não estariam de livre vontade presas, enclausuradas nestas prisões que, se tornam invisíveis, aos olhos do Mundo.
Quanto a mim, continuo sob o enclausuramento, pois sei que ao tentar fugir desta prisão, certamente haverá algures outra, seja de que tipo for para lançar-me as suas garras e apertar-me, asfixiando-me para que, novamente as lágrimas espreitem os meus olhos desprevenidos. Este é o futuro assaz curto que eu vislumbro. Continuar em busca da tão pretendida Liberdade!..
 

celeste palma
Enviado por celeste palma em 29/08/2007
Reeditado em 05/09/2007
Código do texto: T629165

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Sobre a autora
celeste palma
Portugal, 69 anos
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celeste palma