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Todos iguais

Ao meu lado os antigos instintos que moldaram aquilo que pensam que eu sou.
Insone, o amor, já tão envelhecido, se perdeu no azul das minhas paredes. Parece que o nome daquela garota já não espanta. Meu egoísmo foi ensaiado no tom da voz dela.
Ela que se enforcou nos fios do telefone, ela que parecia tão pouco com o muito que maldisseram dela.
Ela que parecia amar tanto.
Agora as velas, as luzes, as lesmas, restos de cores numa fotografia.
Não podemos maltratar essa lembrança agora que perdemos até as unhas dos dedos.
Por trás dos meus olhos negros há uma camada verde como a que eu roubei dos olhos daquele que só de existir me exaure.
Aquele que deixa seus passos pelas calçadas; que sorri sorrisos breves, guardados no cantinho da boca. Me enlouquece em versos brancos; guarda minha sorte nas palmas das mãos.Ele que de tão inatingível por vezes parece dormir ao meu lado.
Mas o destino de quem rasteja é caminhar...
E desse sonho verde, daquela cerveja da garrafa verde, da camiseta verde, do verde da minha blusa que inveja (inerte no cesto de roupa suja) o verde intenso daquele olhar...
Longe de todo esse verde cretino e belo aconteceu o encontro de maldições que apenas os olhos escuros podem proporcionar... E línguas estrangeiras só se apreendem quando quentes; quando não precisam proferir mentiras para não sangrar e fazer sangrar...
Depois de tudo o espanto!
A surpresa de nunca mais voltar a ser distração.
Nunca mais acreditar por apenas sentir ser doce.
Nunca mais acreditar em ninguém.
Ninguém nunca mais vai saber quem eu sou.
Nunca mais.
Nunca.
Mais.

Amanda Cristina Carvalho
Enviado por Amanda Cristina Carvalho em 13/09/2007
Código do texto: T650492

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Sobre a autora
Amanda Cristina Carvalho
Diadema - São Paulo - Brasil, 29 anos
6 textos (306 leituras)
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Amanda Cristina Carvalho