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A Saudade, o Amor e Eu...

É alta madrugada...
O Silêncio me chega
pelo som que a noite “não” faz lá fora...
Aqui dentro aguardo ansioso pelo sono...
Como ele às vezes demora!
De repente ouço alguém bater:

“Tok-tok”

- Quem seria o insolente?

Caminho.
Passos curtos.

- Por quê não me deixam sozinho?

Estou aborrecido...
Giro o trinco e rodo a maçaneta...
Abro a porta num puxão!
Quero encarar o atrevido que ousa
importunar-me a essa hora...
Mas...que decepção!  Não há  ninguém!

- “O Covarde deve ter se tocado e foi embora”!

Tudo bem.

- “Assim foi melhor pra mim também”!

Aproveito e chamo a noite pra conversar...
Mas ela não quer e diz:

-Entre! Entre! Que o sono logo vem!

Faço cara de quem não gostou...
E ela...
cara de desdém!
Pode?

- Bem que avisaram que você não liga pra ninguém!

Digo indignado!
Porém,
ouço-a rir...
debochada...enquanto fala:

- Querido! Preciso é ligar pra “quando” e
não pra “quem”!

Volto pra dentro.
Estou contrariado.
Como a noite às vezes é chata!

- “Ou será que eu deveria ter permanecido calado”?

Ah...noite ingrata!
Então pois bem:

- “Que fique sozinha aí fora!”
“Eu fico aqui dentro e não saio mais...”
“Não importa quem bata!”

Olho à minha volta...
A SOLIDÃO preenche o lugar...
Sinto o vazio...eu sei:
Ela está me chamando pra conversar...
Mas agora eu é que não quero!
Não com ela!
Não com a SOLIDÃO!
Sinto que não vou suportar!
Mas ela insiste e continua a chamar...
Ignoro-a.
Faço de conta que não é comigo.
Ligo a Tv.
Fazer o quê?
Então ela se vai...
Mas sei que é por pouco tempo...
Sei onde ela foi...
Foi chamar a SAUDADE!
E daqui a pouco elas vêm!

Então ouço nova batida:

“tok-tok”

Essa foi mais forte!
Que ousadia!

- “Não poderiam ao menos esperar pelo dia”?

Escuto atento.
Abaixo o som da tv e não faço movimento.
Espero...
Nada!
Eu sabia!
Brincadeira idiota!
Só querem ver minha
cara ao abrir a porta!
Mas não lhes darei tal satisfação!
Não! Agora Não!

Desligo a Tv.
O silêncio...
Me chega pelo som
que a noite “não” faz lá fora...
Olho em volta...
E...agora?
Mais essa!
Como voltaram depressa!
A SOLIDÃO trouxe mesmo a SAUDADE!
Fecho os olhos e penso:

- “Isso não se faz...é Maldade”!

Decido ignorar...
Mas ela diz:

- Achou que eu não iria voltar?
E ainda te trouxe visita!

Então digo, usando um sopro de voz:

- Por favor...não insista!
E Vá embora! Ou melhor:
Vão as duas!

- Não antes de você ME escutar!

Diz a SAUDADE .
Parecendo muito decidida...
Mas eu não ligo...
e digo:

- Por quê deveria? Se vocês só querem
ver sangrar a ferida???

Ouço a SOLIDÃO gargalhar...

- SILÊNCIO!

Diz a SAUDADE mandando-a parar!
E o estranho é que a SOLIDÃO obedece
sem reclamar!

- Não meu querido! Nunca quis teu mal!
Prossegue a SAUDADE...

- Estou aqui pra te ajudar!

- Como?
Pergunto.

- Nunca ouviu dizer que a dor é
inevitável, mas o sofrimento
é opcional???

Ironizo...

- Sensacional!
A SAUDADE agora
me dando lição de moral!

- É isso mesmo! Às vezes é preciso
aprender uma nova lição!

- Mesmo que machuque meu coração?

Digo ainda sem entender.

- Não sou eu quem machuca...lembre-se:
O meu nome não é DECEPÇÃO!
É SAUDADE!

- É verdade! Só deve te sentir
quem tem algo de bom pra recordar!
Porém, não é o meu caso...

- E por quê não?

- Porque o que tinha de melhor foi
embora pra nunca mais voltar!

- Você está falando do AMOR?

Pergunta ela, mesmo já sabendo a resposta...

- E de quem mais? Sabe o que me
fez o traidor?
Foi embora com alguém que amei
e nunca mais voltou!

Digo quase perdendo o controle...

- Ok! Ok! Agora me escute
com muita calma...

Diz ela enquanto as lembranças
invadem a minha alma...

- O AMOR nunca te traiu...isso
é impossível!
Você que com sua dor o tornou
invisível!
- O AMOR não foi embora...
ele pertence a um lugar
que jamais poderá deixar...

Ouço-a atento...
Cada palavra...
Se for assim como ela diz,
talvez até a ESPERANÇA
queira me ver feliz!
Mas então de novo as batidas:

“TOK-TOK-TOK”

Levanto de repente
perdendo a concentração
por um instante.
Dirijo-me à porta, enfurecido!
Desta vez não me escapa o atrevido!
Mas...

- Aonde você vai?
Pergunta a SAUDADE.

- Você não ouviu? Vou abrir a porta
e acabar com esta brincadeira
indecente!

Ela sorri...

- Pare! E escute com mais atenção..

“tok-tok”

Meu Deus! Agora eu ouvi!
Que confusão!
Não era alguém na porta da frente...
Era...
alguém batendo na...
PORTA DO MEU CORAÇÃO!

Sento e começo a chorar!
- O que foi que eu fiz?

- Você aprisionou o AMOR ao
achar que não seria mais feliz...

“tok-tok”

- Não vai atender?

Estou preocupado...
- Ele deve estar muito bravo comigo!

- Converse com ele e saberá!

Começo a abrir a porta devagar...
Então a SOLIDÃO fala num repente:

- Deixe-o aí mesmo...você tem a mim
agora e...

- Nem tente SOLIDÃO! Nem tente!
E saia da minha frente!

É o AMOR falando!
Enquanto sai, me encara...
E...
Sorri!

- Olá!
Consigo balbuciar...

Ele nada diz...
Apenas vem e me abraça...

Agora...
A SAUDADE está chorando emocionada
E agora...
A SOLIDÃO está partindo, derrotada...

Olho pela janela e lá está a
ESPERANÇA...
A esperar...
Ela sabia que este momento iria chegar!
E estica suas lindas asas
chamando o AMOR para voar!

- Preciso ir!

Diz ele, passando a mão pelo meu rosto.

- Não! Que desgosto!
Justo quando nos reencontramos,  vai me abandonar?

- Não é isso querido...

Diz a SAUDADE...

- É o momento de você deixá-lo livre! Ele tem
que “partir”...
pra poder “voltar”!

Olho pra ela.
Quase não consigo enxergá-la
as lágrimas me dificultam a visão...

- E não esqueça:
SEMPRE DEIXE ABERTAS AS PORTAS
DESSE CORAÇÃO!

Diz o AMOR olhando fixamente
para mim...

Sorrio.
Mesmo a chorar.

- Você vem?

Pergunta ele para a SAUDADE...

- Não! Vou ficar mais um pouco.

Ela me olha e sorrimos.
Vamos os três até a porta.
Sei que a LIBERDADE agora é
o que importa!
Mas...
Tenho medo...
Será que ele volta???
Por enquanto deixarei meu
receio em segredo...

Lá fora o sol se apresenta.
Já é dia.
No quintal a ESPERANÇA aguarda...
Suas lindas asas parecem
capturar a luz solar...
Tão belas que fariam
até mesmo Pégasus chorar!

Ela abraça o AMOR e eles começam
a subir...subir...
Já estão voando!
Quase desaparecendo no horizonte...

Meu Deus...
Preciso me despedir
E grito aflito:

- ADEEEEEEEUS!

Mas ele nem deve ter ouvido!
Está muito longe...
Abaixo a cabeça...
e pergunto pra SAUDADE:

- Vamos?

Caminhamos.
Quando chego na porta e estou
pronto para entrar
sinto algo diferente...
Então viro e olho pra frente.
A ESPERANÇA....
está voltando!
E...
O AMOR!
Como brilha!
Lindo, solto
e
tão leve!
Vejo-os passarem voando
logo acima
enquanto ele me grita:

- ATÉ BREEEEEVEEEEEEE!!!!

Sinto meu coração bailar...
As lágrimas correm felizes
pela minha face
enquanto digo:

- ATÉ BREVE AMIGO! E NÃO DEMORE PRA VOLTAR!!!!!

...
                       




Roby Marx
Enviado por Roby Marx em 15/09/2007
Reeditado em 08/07/2009
Código do texto: T653090

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Sobre o autor
Roby Marx
São Paulo - São Paulo - Brasil, 46 anos
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Roby Marx