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TEMPESTADE

O sol brilha lá fora mas eu acordei pra dentro. Os pais brincam com seus filhos nos parques e condomínios, jogam bola, mas o que era pequeno ficou grande. Tomei um gole d’água que ganhou ares de tempestade. Hoje tudo é grande em mim: as mortes sucessivas, seguidas todas sempre de suas respectivas ausências, os vazios tão cheios de pecados que o corpo de Cristo que recebi esta manhã já me transbordou. Já não me cabe, não mereço, não sou digna. No entanto, o sol brilha. Há mães fitando seus rebentos pela primeira vez. Mas hoje em mim só cabe o olhar daquela que se despediu. Não há onde guardar canções de mar ou melodias de céu, resta o silêncio de quem já ouviu um dia e sabe muito bem o que perdeu. Mas apesar de tudo, o sol brilha. E esquentou até a fervura do meu dorso à porta do templo. Eu não cabia lá dentro, sosseguei do lado de fora, sentada no chão. Tudo imenso. Mais imenso e intenso que qualquer dor.
Fabiana Esteves
Enviado por Fabiana Esteves em 19/09/2007
Código do texto: T659701

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Sobre a autora
Fabiana Esteves
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 41 anos
9 textos (157 leituras)
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Fabiana Esteves