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Do Pouco que Sobrou {em progresso}

“Se tudo é tão ruim, por onde eu devo ir?”

I
Eu implorei, implorei tanto. Deus existe? Ei, você aí, você existe? Você consegue saber de tudo isso e não fazer nada? Se Deus existe, ele é sádico, tão sádico ao ponto de me queimar aos poucos, só pra ver eu me contorcendo de dor. Porra, eu pedi... Eu pedi que se não fosse pra isso tudo dar em algo, pra me livrar, pra não fazer me sacrificar por nada... E olha, olha o que ta acontecendo. Ele ta indo embora, ele nem olha pra trás. Ele não olha pra trás. Ele disse que eu sou otária, ele não virou nem pra ver o meu olho cheio d’água. E foi embora sem olhar pra trás, sem dizer adeus, sem nem cair uma lágrima.

E o que vai ser de mim, Deus? Se você existe, diz, o que vai ser de mim? Eu me baseei tanto nisso, você me fez subentender que estava tudo certo ou que ao menos tudo daria certo... E agora eu me despedaço. Eu me mato aos poucos porque falta em mim a coragem de acabar com isso de uma vez. De uma vez.

O travesseiro que sufoca é o mesmo que me acalma.
O amor é um travesseiro.
Ele me faz sonhar, mas não sabe porra nenhuma dos meus sonhos.

II
Você ainda continua calado. Tá envergonhado de si mesmo? Ou o que você planejou não deu certo? Mas, espera, você não é onipotente... Faz alguma coisa. Onisciente, me explica o que houve. Onipresente, cadê você?

Ele foi embora e eu não sei se volta. E se voltar, vai ser pra quê? Se ele voltar, vai voltar com aquele olhar que corrói do fio de cabelo até o dedo do pé. Vai me congelar com aquelas palavras duras e me rachar com o sorriso indiferente. Será que ele gosta? Será que ele gosta de me matar aos poucos? Será que ele gosta de testar o que eu sinto? Gosta de saber o quanto eu me mato por ele?

Mas não é por ele, Deus, é por mim. Se eu não visse tanta coisa minha, nele... Tudo bem... Mas é que... Deus, como eu digo?

No reflexo dos olhos dele, eu me sinto tão mais viva.

Ele chora,
derreto.
Dorme,
desapareço.
Fica vesgo,
enlouqueço.
Expreme os olhos,
emagreço.
Óculos escuro,
eu anoiteço.

Pisca um olho pra mim meu bem,
que eu odeio essa tal de dupla personalidade.

III
E eu ainda procuro as respostas que não escuto.
Deus, você que é Deus cheio de eus, deveria me conhecer mais do que todos me conhecem... Então diz, me diz o que tá acontecendo dentro de mim que eu acho que anatomicamente estou louca: sou toda coração.

E eu pulso,
quero cortar o pulso,
e eu bato,
me bato,
dói,
contrai.

Ser um coração é cansativo,
todos te quebram, te chutam,
te maltratam
E ainda dizem que você tem valor
Só porque dependem de ti.

IV
...
Jô Maciel
Enviado por Jô Maciel em 26/09/2007
Código do texto: T670082

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Sobre a autora
Jô Maciel
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Jô Maciel