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Aluando

Lua, você. Que guarda os esboços de sonho que padecem das mentes dos homens, que repousam flutuando em estrelas cadentes. Permita-se não ser apenas obra da escrita de um lunático, e sim uma presença constante do temor daquilo que não podemos nem ousamos compreender.

Não deixe que novamente a chuva despenque sem uma tarde abafada de verão, que as folhas caiam antes da estação devida, que os frutos sejam colhidos irresponsáveis e inférteis.

Faça da ausência o tempo, da saudade a presença, transformando as pequenas atitudes cotidianas em algo engrandecedor e talvez menos enfadonho.

Porque os anjos que dormem logo despertarão para o céu sem Lua, sem noite e sem nada, e ficarão desolados num azul tão vazio e pleno que se esquecerão de quanto é bom dormir as canções ditadas pelo silêncio.

Se pode mostrar apenas metade de tua face como tanto desejou, aposto que está apta a realizar o que lhe peço.

Sem mais, que nos encontremos ao fim desse dia sufocantemente azul e possamos nos tornar mais uma vez plenos.

Você voltará e voltará - como sempre, nunca sendo a mesma - como eu.
Guido Ranieri
Enviado por Guido Ranieri em 06/10/2007
Reeditado em 14/10/2007
Código do texto: T682563

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Sobre o autor
Guido Ranieri
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Guido Ranieri