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No começo nem sentia. Parecia que seu corpo pendia sobre o meu. Podia vislumbrar suas mãos passeando no meu corpo, buscando novos caminhos, tateando novos sabores, revelando novos sentidos. Sentia o prazer que o prazer tinha, nem descrevia o que percebia pois que o prazer não tinha nome, era de passagem e absoluto, conclusivo e determinante. E você, coadjuvante de todos os sentimentos, determinava o ritmo que se podia chegar sem que se sentisse mais do que se poderia sentir. Na nossa luta de busca de ideal nem sempre chegávamos juntos. Algumas vezes num descuido você estava na frente sem chances de ser alcançada. Outra vez perdia o controle sem saber o que fazer, apenas deixando o suspiro atingir seu último gozo. Mas a noite não era longa o suficiente e começávamos a usufruir também do dia. Mesmo o sol nos acordando em seu caminho matinal parecia que não tínhamos dormido e nem acordados. Às vezes seu corpo sobre o meu, às vezes apenas um corpo. Dormíamos quase como deitávamos. Havia estudos, uma profundidade clara e determinada na busca de algo inatingível. Não se buscava apenas o gozo mas todos os minúsculos sentimentos na perfeição aflição da totalidade sensorial. Seus seios nus de bicos intumescidos perfeitamente duros de desejos faziam caricias a minha língua nervosa e envolvente. As mãos, frenéticas pontes do incessante ilimitado espaço de buscas de vôos terrenos incontroláveis. Toques de bocas sobre ventre, sobre pernas que se abriam e fechavam como asas de borboletas pousadas em néctar flor. Como poderia esquecer aquele giro perfeito como se um parafuso totalmente rosqueado pudesse ter ainda mais uma volta a dar. A profundidade de uma lagoa se mede por quanto se anda nela. Pois que nadávamos em toda a sua extensão mesmo sob chuva, mesmos em tempos secos com poucos peixes, sempre em toda sua umidade. Nadávamos de costas, peito, como lanchas supersônicas que mal se tocavam às vezes como comensais, parasitas totalmente colados um ao outro. Água, líquidos se misturando, meus líquidos com o seus. Não sei quem falou. Ninguém disse até então. Aconteceu que um dia resolvemos seguir outros caminhos. No começo nem sentia. Parecia que seu corpo era o meu corpo.
Lorenzo Giuliano Ferrari
Enviado por Lorenzo Giuliano Ferrari em 24/10/2007
Reeditado em 24/10/2007
Código do texto: T707514
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Lorenzo Giuliano Ferrari
São Paulo - São Paulo - Brasil, 54 anos
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Lorenzo Giuliano Ferrari