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DISPARO

Saudades...
Hoje eu li tua saudade
Nas páginas de outro livro,
Com letras duras, de ferro,
Ponteagudas,cortantes;
Mesmo assim eu quis olhá-las,
Ferir meus olhos com a navalha,
que em apenas uma palavra,
você conseguiu moldar;
Quis cortar meu olhar vívido,
Quis nem conseguir chorar,
Levei um corte preciso,
quando por cada letra passei;
Foram oito malditos cortes,
Oito finas navalhadas,
Que oito vezes se aprofundaram,
Nas minhas fracas retinas;
Mas foram somente cortes,
Nada tão impressionante,
Nada que seja importante,
Porque haveria de ser?!
Pois só li uma palavra,
Tão insignificante,
tão pequena,
palavrinha,
paulada,
rasgo,
Risco,
oito,
Dor,
de,
Saudades...
Mas os pontos depois dela,
Reticências a miúde,
Calaram dentro do peito,
e calando deram um jeito,
De gritar não tão ameno,
Foram logo no disparo,
Explodindo o coração;
Disfalecendo uma coisa,
que se chama humanidade,
Foi só isso,foi saudade,
Uma de frente pra outra;
A tua,saudade crua,
A minha,já bem passada;
Eu morri,não sobro nada,
Mas não é uma eternidade,
Que é isso? Dá para enganar,
E sorrir mesmo estando morto,
Isso aprendi com você,
A maior de todas as saudades,
É a saudade de querer-se,
É a saudade de viver...

Fernanda Valencise
Enviado por Fernanda Valencise em 25/10/2007
Reeditado em 30/10/2007
Código do texto: T708868

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Sobre a autora
Fernanda Valencise
Recife - Pernambuco - Brasil, 39 anos
100 textos (3030 leituras)
3 áudios (77 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/10/17 12:23)
Fernanda Valencise