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ESCUTANDO A VIDA


Quando o sino da matriz imprime um colorido todo especial às ruas da cidade, com as suas últimas badaladas, penso naqueles que perderam, ou nunca possuíram a capacidade de escutar. 

Ouvir o musical dos pássaros que, do alto da copa das árvores,mostram às criaturas humanas como se agradecer ao Creador pela bênção da vida, é uma fonte inesquecível e incomparável de magia.

Sim! Os pássaros diuturnamente entoam cânticos de louvor e agradecimento ao Pai. 

O som do apito de um trem ao se aproximar da plataforma e o ruído característico quando imprime freio nas suas rodas, é como ser transportado aos ambientes de filmagem ou mesmo àquelas cidadezinhas pacatas onde famílias se dispunham sentadas nos bancos das estações ferroviárias aguardando os entes amados.

É pura fantasia.

O assobio do ser amado, sob o peitoril da janela, quando toda a casa está adormecida,em conjunto com as batidas aceleradas do coração apaixonado,é quase surreal. 

Quando vozes afinadas se elevam em cânticos de vários tons e características diferentes, é como se a Natureza em festa explodisse em miríades de pontos de luz diamantina destinados ao embelezamento da festa da vida.

A musicalidade do choro do recém nascido, imitando o chamado aflito à mãe ausente ou distante; o desenvolvimento desta sua característica passando pelo balbuciar das primeiras palavras até atingir o seu ápice, tornando-o capaz de associar idéias e emití-las através do verbo ponderado e terno, honrando e contribuindo para o engrandecimento do ser,é quase um mistério.

Quando o balido das ovelhas, o latido dos cães, o miado solitário dos gatos,o piado das corujas e muitas outras manifestações de vida dos animais, chegam até os nossos ouvidos não conseguimos decifrá-las, é verdade, mas pressentimos uma comunicação pairando no ar.

Como e bom e prazeroso escutar, penso eum!

Através deste sentido perfeito e belo com o qual fui abençoada é que pude arquivar na minha memória o som das vozes amadas e, hoje, distante de muitas delas,pelas próprias contingências da vida, posso abrir os cadeados da memória e libertá-las para que, por alguns momentos, elas se materializem dentro de mim, remetendo-me ao passado,dirrimindo saudades...


Uma noite linda para todos,paz!

Imagem do site google:
http://www.bitebyte.com.br/historinhas/sons.html

Sônia Maria Cidreira de Farias
Enviado por Sônia Maria Cidreira de Farias em 28/10/2007
Reeditado em 17/03/2012
Código do texto: T714076
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Sônia Maria Cidreira de Farias
Jequié - Bahia - Brasil
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Sônia Maria Cidreira de Farias