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TENHO CABEÇA TORTA


 
Tenho cabeça torta, cabelo esticado, jeito desengonçado
Mais tenho a palavra certa, e jogo nas pressas
Neguinho aqui do cerrado, chupa muita cana
bato com charada os meus versos e resumo com simples palavras apresento sou cantador goianiense moro no tributo da minha existência tricotada
sou da meiguice de criança criada no colo e mãe limpando “o foi e fui fó”
o sangue de artista popular trúpica nas minhas veias, meu pai cantador de serra sertanejo e muito popular, na beirada do terreno, vizinho quer ouvir só afumega
ser artista não é fácil também não é difícil as músicas que faz sucesso é compactada com o diabo não tem melodia não tem poesia não tem gente popular e cito alguns Sr. Joaquim, Sr. Antônio, Sr. Lorisvaldo, Sr.Paulino, Sr. Marcionilia, Sr. Marly, estes artistas você não conhece, claro! não é de mídia de televisão é só do sertão das comunidades,
tu, pode até estranhar quando falar das galinhas que corria no terreiro para não ser morta, e pequeno afoito já via isto tudo ,e até hoje vejo galinhas pessoas de duas pernas morrendo com chumbo, se resumiste isto tudo viraste frigorífico
a historia pode cambalear para um lado mais a minha estória não é esta, é chegar a hora, e na beirada um botequinho pedi uma branquinha sei que a cachoeira das lagrimas descerá, mais home que é home agüenta calado na beira da mesa sem escândalo sem vozear e papagaiar
sei que os anos já passou, tive foi só fracasso mais o que tive ninguém me tirou, sou aroeira e como cedro por dentro tenho as serragem dos sentimentos
pego a minha carruagem e parto a melancia chupando na noite
assim jogando as sementes fora quem sabe no terreiro cresça ou empadeça neste mundo dos açoites
então falo! artista peregrinado a fazer verso e verso em um papel sujo e sem ponta no lápis
até fico confuso com tu menina de cabelo claro quando digo que amo o cachorrinho ossinho mais que a tua exuberância, muitos vão falar que sou home – fêmea mais por mim pode falar o que quiser se um dia entrei nesta confusão é porque com a gaita não toquei e se os amigos não encontrei porque ocupado estão
o trenó é no natal e se existe papai Noel ele nunca visitou a minha janela de veneziana
e tenho aqui a minha meia, há séculos, suja jeitosa a cunho popular fedida e chulezenta
mais por isso uso no sapato, um pé com uma meia e o outro a ceia nos olhos dos tirilampos
vou crochetar e coser na roda de fiar a historia que nunca contei para ninguém e a canção preservar a cultura particular de verso e prosa
um dia destes um senhor de certa idade chegou com uma roupa fina de terno e chapéu de palha e antes de todos perguntar já foi palavreando que era aquilo e outro aquilo, todos aqui do cerradinho olhava e bissonhava sem apartar nem uma palavra mais tinha um cheiro desordenado dos conformes, perguntei para aquele home - se é tudo isto, o que faz aqui, ele responde,por está sem dinheiro ,é, não ter jeito de seguir a viajem
eu como um home doido tagarelante neste assunto de dinheiro percebi que não era comigo, neste momento passando o pau de arara, coloquei-o dentro e peguei a minha carroça e continuei a viajem.
Viajando há anos neste cerrado infinito decerto, observando pássaros, seriema, computador que nem sem mexer, a imagem do rio alavanca suplementação harmoniosa, facção com a natureza e a minha revolta quando digo que na cintura tem um metro de lamina afiada acredite porque quando puxo pode aparecer até o bicho do inferno com seu chifre que corto só com uma punhalada ,apresento meu nome Doraci de Lima Laranja vou repeti para não esquecer Doraci de Lima Laranja você pode até rir porque ainda a dente eu que sou diferente, não tenho!, mas
assobio chupando cana, nado no rio de frente, de costa de lado de cabeça e subo na arvore mais do que o Tarzan depois da gripe, não tenho compromisso amanhã, então posso ficar aqui a noite toda contado sobre a minha vida mais espero a chuva chegar e poder molhar o milharal e o mandiocal para neste cerrado ver alimento, a cidade cresceu demais e minhas terras encurtou, tem prefeito que não sai do mandato e o lema dele é asfaltar, fico com medo de um dia ele querer alguma coisa aqui, tenho a sorte de ter os cachorrinhos, pelo menos acaricio, brinco, passo a mão na cabecinha e eles pelo o absurdo do sete mares engana a minha personalidade e lati roco mostrando sua valentia na beirada da porteira, eles totó e xuxa acham que eu não sei da sua falsidade, mais como um home, tudo bem! calmamente preciso de um café, sei que não gosta, vosmecê que me escuta precisa e embora porque vou fechar a porta na sua cara e chega de lero lero.
certa horas já não recebo ninguém, você na rua cabisbaixo e eu dentro de casa cabisbaixo pensei que iríamos cabisaltar mais o que aconteceu foi o cabisminizar e fez criar um fogo dentro das minhas veias que agora cuspo fogo como satanás se algum dia tivemos um elo de amizade gasolina tenho! e o seu corpo de chama ficará se ainda acredita na sobrevivência, o simples riso dou ,porque do fogo agora tente escapar.


marcos marrom
Enviado por marcos marrom em 29/10/2007
Código do texto: T715026
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Sobre o autor
marcos marrom
Argentina, 34 anos
26 textos (1303 leituras)
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marcos marrom