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Ciúme

Defino o ciúme como um bicho, seco e áspero, com uma carapaça dura e densa, um bicho que pode tomar diversas formas. Pode tornar-se bípede, quadrúpede, grande, pequeno, mas é sempre voraz e ágil, conseguindo tomar conta de qualquer ser humano no qual consiga chegar, e ele sempre chega. O ciúme vem, sempre de mansinho, se instala no homem e ali fica, como um hospedeiro, sugando energia, forças, coragem. O ciúme é um bicho triste e tem um poder imensurável.
Afeta mulheres, maridos, crianças, velhinhos, prejudica sutilmente a vida das pessoas com seu ar gelado, com seu fogo poderoso. Deixa qualquer um sem conseguir respirar direito, aos poucos vira angústia, o ciúme é doença, crônica e palpitante. Vai tomando conta, devagar.  Faz com que nos perguntemos ‘Por que?” “Como?” Faz com que tenhamos raiva, vontade de gritar. Ciúme é um bicho indomável e insaciável, que afeta os inseguros, mas não só a eles. Os mais seguros carregam um ciúme contido, que hora ou outra se manifestará, mostrando seu fogo, suam ira, sua maldade. Ele pode ser aquele aperto no peito, que você sente não sabe porque, que fica te sufocando durante horas, semanas. Sem que surjam meios de se livrar dele. Não há remédio que cure o ciúme, não há jeito de fugir. Você sente ciúmes de quem ama. Você sente medo de perder quem gosta, e então sente ciúmes. Você tenta fugir dele, fechar os olhos, esquecer. Mas ele te persegue, te faz enxergar de um jeito limitado. E no fim, te mata, de amor ou de ódio.
Mel Pê Mendes
Enviado por Mel Pê Mendes em 31/10/2007
Código do texto: T717268
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Sobre a autora
Mel Pê Mendes
Nova Prata - Rio Grande do Sul - Brasil, 28 anos
4 textos (184 leituras)
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Mel Pê Mendes