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Por não saber o que é o amor....

     Brigaram feio. Dois corações amorosos, duas almas sensíveis e francas, aproximaram-se irresistivelmente, mas o orgulho e o temperamento os separaram. Nenhum dos dois conhecia a palavra "humildade", nenhum dos dois sabia que o verdadeiro amor primeiro é capim, depois, plantinha e, enfim, floresta, e só cresce com a verdadeira renúncia de si mesmo, que assim se expressa: Me perco, mas não te perco.
     Nenhum dos dois jamais leu estes versos de Gonçalves Dias, no seu poema "Se se morre de amor":
     “...........................................
     Amor é vida; é ter constantemente
     Alma, sentidos, coração - abertos
     Ao grande, ao belo, é ser capaz d'extremos,
     D'altas virtudes, té capaz de crimes!
     .............................................
     Amavam sim, mas não sabiam o que era amor e, por não saberem, separaram-se, cada qual achando que o outro fora o culpado.
     Mas, um dia, ele pensou: “Foi tudo uma grande bobagem. Acho que exagerei. Diabos, sou um homem ou um meninão de calças curtas? É preciso dar o primeiro passo para a reconciliação.”
     E também, um dia, ela pensou: “Ambos tivemos culpa; sou uma mulher ou uma pirralha de trancinhas? É preciso dar o primeiro passo para a reconciliação.”
     Então, um dia, andavam pela mesma calçada e se viram, de longe, caminhando um para outro.
     Ele sobressaltou-se, o coração bateu forte, parecia que ia sacar do peito. “Ela estava tão linda e a saudade dela doía tanto dentro dele!... Ao inferno, com o orgulho! Dir-lhe-ia clara e francamente: Eu te amo, não posso mais viver sem você. Volte".
     Ela ficou pálida e nervosa quando o viu. “Estava tão bonito e parecia tão triste... Como tivera coragem de se afastar daquele homem só por causa de uma tolice? Preparou as palavras que iria dizer-lhe: Oi, quer saber? Ainda te amo. Volte.”
     E foram se aproximando, com o sangue se atropelando dentro de suas veias.
     Bem perto, ele pensou: “Mas essa mulher é muito arrogante. Com certeza, vai exigir que eu peça perdão”.
     Bem perto, ela pensou: “Mas esse homem é um cabeça dura. Com certeza, vai exigir que eu peça perdão”.
     E os corações gritavam e soluçavam, mas eles passaram um pelo outro, de caras fechadas, frios e imperturbáveis, como se estivessem passando por um mais que anônimo desconhecido...
     Nenhum olhou para trás. Isso seria demonstrar fraqueza...
     Além de nunca terem lido os versos de Gonçalves Dias, eles também nunca tinham assistido ao filme “Love Story”.
     Por isso não sabiam que “Amar é jamais ter que pedir perdão”.
Antonio Maria S Cabral
Enviado por Antonio Maria S Cabral em 31/10/2007
Reeditado em 22/05/2014
Código do texto: T717397
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Antonio Maria S Cabral
São Luís - Maranhão - Brasil
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Antonio Maria S Cabral