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Despedida

Não saia. Espere. Deixe a chuva passar.
Você até nem percebe, mas chove lá fora.
Cada passo que você dá em direção à porta,
é frio que sinto chegar, respingos de chuva,
entrando de leve e apagando
a chama do meu olhar.
Aproxima o ocaso, a cada passo que você dá.
E a chuva e o ocaso serão eternos.
Deito meus olhos sobre você e te desconcerto.
Nunca entendi direito por que.
Acaso, o brilho nos olhos de quem te ama faz falta?
E você não pode abrir mão?
Mas, veja, o brilho se apaga. Só você não percebe.
Como não percebe a chuva e o ocaso chegando.
Tudo se entrevará. A tempestade vai arrasar tudo.
Levar de enxurrada as cartas, os gestos, as tentativas,
as carícias, e o mundo inteiro ficará
debaixo de trevas e de água.
Por favor, não saia! Não restará mais beleza.
Apenas, uma cabeça andará pendida.
Alguns sonhos serão destruídos.
Faltará sentido às festas e comemorações de ano-novo.
Serão anos de novos anos chegando
destituídos de presença.
Anos de novos anos ditados pela vontade contida de chorar.
Por um engasgado “por quê”.
Não vá. Não se arrependa.
Não saia. Espere. Deixe a chuva passar...
Arpejo
Enviado por Arpejo em 03/11/2007
Código do texto: T722063

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Sobre o autor
Arpejo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 39 anos
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Arpejo