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O mar e a madrugada

A madrugada se entregou ao mar, espraiou-se e sentiu-se naufragada.
Nada do que seu atual espraiar revela, demonstra sua antiga beleza,
Sua natureza brilhante, seu viver errante acertado,
Aprendiz e bem resolvido.
O dom de seu sorriso esconde na foto o que a alma revela.
A tristeza que desvela briga contra sua própria correnteza.
Luta contra a correnteza do mar. Maresia, banzeiro é fogo.
Incendeia.
E o embalar da canção recorda os anseios
que a madrugada antes sentia pelo mar.
Mar traiçoeiro, atraente, intempestivo.
Em um momento sem sentido, caiu-se mascara,
E a onda gigante cobriu a madrugada.
Penumbra bela do sereno escureceu.
Alma gemeu. Dor incendeu.
Mas, sinuosa, madrugada não desiste.
Ela incide, se espraia. Tem qualidades que o mar não sabe.
Renova-se a cada dia. É só a noite cair pra ela ressurgir,
Como fênix nas cinzas, como flor na primavera.
Ressurge madrugada. Teu naufrágio é só estada.
Não se entregue ao temporal.
Vendaval violento é estardalhaço.
Faz estrago, mas passa.
E há de estragar.
Algo do mar será ausência.
É algo que perderá.
Talvez, o espraiar da madrugada.
Arpejo
Enviado por Arpejo em 11/11/2007
Reeditado em 14/11/2007
Código do texto: T732284

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Sobre o autor
Arpejo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 39 anos
83 textos (3543 leituras)
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Arpejo