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FOLHA MORTA

                                      FOLHA MORTA
Suave, léve como uma pluma, a folha tombou amarelecida e morta, no chão frio e despido da alameda... Vendo o rendilhado lindo dos teus contornos fenecidos, sinto tão grande pesar pela tua morte lenta, pela tua agonia silenciosa e esquecida.
Sofro, vendo a vida fugir do teu corpo mirrado, quase seco, deixando para sempre teu coração verde e esperançoso. Tu, que embelezaste com a pujança sã da tua mocidade, a fronte altiva da arvore que te deu vida. Que serviste de escrínio aveludado aos pingos brilhantes de orvalho, que a noite deixou cair de seus olhos negros e tristes. Tu, folha morta, tens direito ao tumulo eterno de uma pagina amarela de missal. Tua vida breve como a felicidade, teve um fim de martir.
Tua alma pura, pendeu risonha de um ramo que, tocado pelo bafo etereo da brisa, arrojou-te sem dó ao chão ressequido e abrasante.
A gloria fugaz que  por pouco te alegrou, reverteu na aridez da morte prematura, numa corôa de cardos, que a tua resignação santa divinizou. Triste odisseia da folha... morrer devagarinho, sorvendo com doçura os ultimos sopros debeis da vida que se esvae; abandonando seu corpo hirto e frio, no silencio sepulcral da alameda sombria... O teu destino é tão igual ao nosso; esperanças, glorias...porém, tudo ilusionario e passageiro. Tão efemeras são as coisas da vida, que não dá tempo de sentirmos a felicidade, quando ela por acaso chega até nós. Felicidade... fada maravilhosa de lenda, vestida de sol e coroada de estrelas, estás sempre longe das nossas mãos. Tanto mais te afastas, quanto mais queremos te alcançar, num desejo doido de ser feliz...
Folha morta, o verde emurchecido do teu semblante, foi um dia o verde forte, cheio de nuanças vivas, que simbolizou esperanças, coloriu corações e esconde no matizado adoravel da côr, a mentira e o cortejo roto da realidade, essa realidade impiedosa, que tira o verde da alma e veste de cinza o coração...
Celisa Diniz Corrêa
Enviado por Celisa Diniz Corrêa em 15/11/2007
Reeditado em 17/11/2007
Código do texto: T737872

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Sobre a autora
Celisa Diniz Corrêa
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Celisa Diniz Corrêa