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Recanto das estrelas

       Surgidas do nada são estas estrelas. Que fazem estas estrelas aqui? Pergunto a meus companheiros. Elas vieram brilhar, ora. Como não percebi antes? Pergunto a mim mesmo. Mas de onde vocês vêm, queridas estrelas? De lugar nenhum, responde uma primeira. Eu também e também minhas irmãs, responde uma segunda. Mas essa estrela não pode falar por nós, queixam algumas. Eu concordo, não pode mesmo. De onde vocês vêm, ultrajadas estrelas? De lugar nenhum, respondem em coro.

       E as estrelas se amontoavam umas sobre as outras. Como pode tantas estrelas reunidas? Preciso de mais espaço, grita uma injuriada estrela. Olhem o meu brilho, clama outra estrela. Que brilho lindo, olha o meu, diga o que você acha, fala outra estrela. Sois tão bela, querida estrela, comenta uma estrela clássica, te farei mil sonetos e ainda não se fará jus ao teu brilho divino. Concordo plenamente, afirmou uma estrela que nem estava olhando.

       E aquela estrela que se intitulava Lord declamava: oh, meu anjo pálido, você não estás aqui, mas saibas que, minha vampirinha, que posso morrer por você. E as demais estrelas brilhavam aplaudindo, pois quanto mais brilhassem no aplauso, mais chances teriam de também ser vistas e ouvidas. E se perguntavam as estrelas, quantos já olharam você brilhando, amiga estrela? Mais de mil, e você, minha estrelinha favorita? Dez mil, mas não se preocupe, amável estrela, continue brilhando e cem mil te verão.

       E as estrelas abrem espaço para a passagem de outra estrela. Por que fazem isso, humildes estrelas? O brilho de todas vocês é praticamente igual, digo, esta que chega não tem nada de empolgante. Que ultraje!, exclama uma estrela raivosa. Ignorem-no, ordena a estrela bajulada. Ele é uma dessas pessoas de mau gosto, que não sabem apreciar um bom brilho, continuou a soberana estrela. Não lhe dêem ouvidos, atentem seus sentidos para meu brilho e brilhem também, finalizava entre inúmeros aplausos de estrelas que não lembravam o que acabou de dizer a persuasiva estrela.

       E a mim coube contar o acontecido no encontro das estrelas, nesse luxuoso recanto. Pois todas elas brilhavam demais para se encarregar disso. E perdoem-me por repetir tão exaustivamente a palavra estrela, mas elas me ordenaram que assim fizesse. Não aceitariam nenhum outro rótulo. E aonde foram todas as estrelas? Para lugar nenhum.







Dedicada a V...
Irley
Enviado por Irley em 25/11/2007
Reeditado em 07/07/2010
Código do texto: T751546

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Sobre o autor
Irley
Curitiba - Paraná - Brasil, 29 anos
3 textos (1062 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/10/17 13:47)
Irley