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ERA EU


Não pude me negar, reconhecido naquela foto familiar antiga, no meio de habitantes do meu passado, como a criança de calças curtas e meias longas que todos diziam que era eu: – Meus primórdios.

Outra foto, décadas depois, noutra festa repleta de gente que um dia viveu como quem vive quem tem vinte e loucos anos; um cabeludo com juízo curto e pensamentos longes que todos diziam que sim, era eu: – Meus indícios.

Reconheço resquícios do que eu era no que sempre sou.
Vestígios do que nunca fui na forma em que hoje estou.

Não me lembro com nitidez, e desconfio de todos que se recordam de muitos detalhes de um tempo muito distante. As coisas, os fatos precisam ser verossímeis, mais que verídicos. De forma que nessas e em tantas outras fotos é possível que realmente seja eu. Noutras não. Eu era assim. Era eu.
Fotografias. Escritos. Filmes. Rabiscos.
Vejo as muitas formas em que não me perpetuei, mesmo que se num instantâneo fosse contido. O que criei. O que tentei. O que aparentei. Era Eu.
O tanto que fui não reflete o tudo que sou.
Nas lembranças, amores, memórias, amigos, saudades.
Era eu.
Mas hoje, não sou mais.
Hoje, sou muito mais.
Quanto mais eu vou, mais de mim eu fico.
Ontem sim. Hoje mais.
Era e sou.
Eu.
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Carlos Edyl Santiago Filho, jornalista, funcionário administrativo da Câmara Municipal de Três Corações, sempre foi meio assim, meio louco, meio varrido, como todo bom aquariano...
Carlos Edyl
Enviado por Carlos Edyl em 28/11/2007
Código do texto: T756996
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Sobre o autor
Carlos Edyl
Três Corações - Minas Gerais - Brasil
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Carlos Edyl