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A Travessia

É noite,
mas não há estrelas ou Lua iluminando o céu.
Apenas nuvens vermelhas,
anunciando um iminente temporal.

Encontro-me sozinho,
caminhando lentamente numa rua deserta.
O silêncio é quase absoluto,
quebrado apenas pelo som dos meus passos.

Um vento frio e contínuo vem contra mim,
queimando meu rosto,
como se tentasse me impedir de andar.
Mas não o deixo vencer-me, não desta vez.

Caminho com mais determinação,
e a ventania começa,
combinada com as primeiras gotas da chuva.

Quase desisto diante daquela força,
que me traz lembranças, pensamentos, tristeza, pessimismo.
Contudo continuo andando.
Não me darei por vencido novamente.

Avisto, então, uma luz ao longe,
vinda de uma porta entreaberta.
Não sei por que motivo,
mas começo a correr como se minha vida dependesse de chegar àquela porta.

A tempestade começa,
a água e o vento me empurram,
mais fortes a cada passo que dou,
e novamente penso em desistir.

Tento desviar esse pensamento,
e apenas corro.

Estou chegando à porta, falta pouco...
.
..
...

Mas, a poucos metros de alcançá-la,
caio,
como sempre acontece nos filmes.

A água da chuva parece me achatar contra o chão.
Tento me erguer, mas mal tenho forças para respirar.

Pela última vez, penso em desistir,
mas agora não creio que conseguirei vencer esse pensamento.

Começo a ceder ao peso da água
e à força do vento.
A escuridão começa a me dominar
e nada mais faço para impedi-la.

Quando nada além da morte parecia me restar,
a porta se abre
e a luz invade todo o lugar.

A tempestade pára subitamente, deixando apenas poças de água no asfalto.

Ouço passos ao longe,
que parecem ecoar até confins da minha alma.
Livre do peso da chuva, levanto-me
e tento avistar quem se aproxima.

Mas não consigo, a luz é muito intensa.

Ao tentar me aproximar da porta, porém,
uma voz começa a falar comigo,
fazendo-me parar.

É uma voz doce, feminina,
à qual eu não cansaria de ouvir pelo resto de minha existência.

As palavras que me disse não tenho forças para repetir,
apenas digo que elas salvaram minha vida
e me fizeram sorrir,
algo que eu já pensava não poder fazer.

Quando a voz parou,
dei um passo hesitante em sua direção,
mas ela não me impediu,
simplesmente esperou.

Atravessei o portal,
e todas as minhas preocupações se foram.
Apenas a felicidade existia, mais forte e intensa que qualquer coisa.

Virei-me para a porta e a tranquei.
Nada mais importava.
Guilherme Gurgel
Enviado por Guilherme Gurgel em 05/12/2007
Código do texto: T765793
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Guilherme Gurgel
São Luís - Maranhão - Brasil, 28 anos
75 textos (1209 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 24/10/17 00:33)
Guilherme Gurgel