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As lágrimas do leão

Siga o seu caminho é o que o instinto lhe diz. Mas instintos reprimidos levam ao desespero, e o desespero, a medidas extremadas. Num mundo especialmente frio e superficial, os sonhos foram banidos daqueles que ainda ousavam sonhar. Seria você o leão que se entregou depois de se cansar de tanto apanhar? Leões filhotes cantam a canção que adultos estremecem ao escutar: uma alegria, ingenuidade e inocência tão distantes que nenhum deles jamais poderá voltar a alcançar.

"Eu não tenho caminho!" suplica-lhe sua alma mal-tratada, e os dois cambaleam por uma estrada qualquer; de todas, a que ele não queria rumar. E tristonho segue sozinho, carregando na face uma expressão que indica que a qualquer momento pode desabar-se a chorar. Por que a injustiça lhe fustigou tanto o carinho? O amor que tinha, ele acabou por guardar; cada vez que o compartilhava faziam o possível para lhe maltratar. Você sabe ler os meus movimentos? Letras não têm vida, elas trazem a intenção de alguém que tenta desesperançosamente se comunicar. E você tenta e tenta, mas não consegue nem ao menos consolo encontrar.

O pó cai sobre a estrada, mesmo quando estamos por ela a passar. O pó cai e se junta, e logo ninguém poderá dizer que por ali eu ou você passamos; não podemos dizer se qualquer outra pessoa além de nós já por ali passou. E passaram. Muitas e muitas. Você consegue abraçar o mundo com as asas da imaginação? Você consegue sentir a tristeza e euforia de todas as coisas vivas em seu infinito coração? Se o leão não encanta a vida e aos outros com a sua existência - não, não com a sua beleza, mas o fato de existir - por que haveria ele de continuar a viver? Redundâncias de uma coisa não mais requsitada que se recusa a deixar de ser... Tudo porque todos merecem, não cabe aos outros decidir senão por si próprios o porquê do existir. A leoa ainda protege os seus filhotes com a mesma fúria materna que nos caracteriza a todos como uma única entidade ao compartilharmos indubitavelmente o fardo de viver e morrer. Nos meus olhos, os últimos resquícios de esperança choram ao ver o último nascer do sol sem saber o porquê...
Vagner Albino
Enviado por Vagner Albino em 27/11/2005
Código do texto: T76982
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Sobre o autor
Vagner Albino
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil
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Vagner Albino