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Adeus, Tigre...

O que fizeram contigo, meu caro amigo felpudo? O que fizeram contigo, sem que tivesses a chance de escolher...? Onde está o escrúpulo daquelas pessoas que julgam saber sobre o viver?

Alma amiga que nasceu em cativeiro, desde pequena não teve a oportunidade de correr livre pela selva, sentir o cheiro do verde, rosnar sua imponência, sentir o calor do sol como uma gostosa carícia enquanto descansas depois de uma caçada bem sucedida; o que fizeram contigo? Privaram-te da maravilhosa vida que todos os seres vivos merecem ter, e por quê? Acredito que nem aqueles que te fizeram sofrer sabem o porquê.

Belo gato de poderosas listras, de andar confiante e, por que não, às vezes, até arrogante, onde foi parar a tua alegria de viver? Perdida no meio da loucura causada por um viver enclausurado, limitado e sofrido, um desespero infindável... Apenas para divertir todos aqueles que zombam das outras criaturas viventes ao exibir o poder desnaturado que fantasiam ter, só para que nada mais possa os surpreender? Mas isso não é divertido, não é, meu amigo? Longe disso, é injusto, cruel e irracional, desprovido de consciência e respeito óbvios, os mesmos que te culpam de não ter.

Grandioso tigre, por que te deixaram morrer? Uma grande platéia entretida não justifica o que fizeram contigo.. E por causa de nossa incapacidade de até as coisas mais simples assimilar, lentamente acabaremos com cada um de tua espécie, com cada um de todas as criaturas até que, enfim, acabemos com tudo o que nos rodeia e conosco mesmos. Enlouquecemos, e agora, quem poderá salvar o mundo de nós, os selvagens materialistas? Tu tentaste, inspiração felina, porém ninguém te escutou. Trataram-te como um objeto, algo que não vive e não sente, uma coisa qualquer sem valor. Menosprezaram-te, e sozinho perecestes, sem ao menos receber, como consolo, a compaixão daqueles que te desrespeitaram...

Que, pelo menos agora, tu possas desligar-te de todo o sofrimento que te obrigaram a passar, e, que, algum dia, com a história de tua vida, possas transmitir a sabedoria de teus anos para aqueles que ainda não desistiram de lutar por este mundo que muitos ainda insistem em negligenciar.

Com isso dito, resta-me apenas admirar a tua força e desejar, sinceramente, que descanses em paz, meu caro... irmão. Dentre tudo e todos que existem e existiram, tu foste único, e por isso, nunca serás esquecido. Alguns podem até desconsiderar-te por ser de uma espécie diferente, porém estariam sendo hipócritas, afinal, se nós, humanos, vivemos de maneira desnaturada, é porque assim permitimos, mas tu, o que dizer de ti, que foi privado de viver? Ninguém tem o direito de fazer isso; a vida existe para ser vivida de forma livre e expressiva, nada mais.
Vagner Albino
Enviado por Vagner Albino em 27/11/2005
Código do texto: T76990
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Sobre o autor
Vagner Albino
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil
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