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Meus bichos (1)

Se eu pudesse hoje me sentar na soleira da casa caiada e esperar por eles... assim eram as minhas manhãs no sítio. Terminava o café e lá ia eu com um pedaço de pão me sentar à soleira, e logo eles vinham se chegando dando bicadas no pão... e quando o pão acabava era em mim que eles bicavam... sinto saudades dos meus patos!... eram tantos, mas eu sabia de todos, todas as manhãs eu contava um a um conferindo a presença. No meio deles havia uns poucos marrecos, lindos, com os bicos e as patas cor de laranja, penas branquinhas, porte elegante, diferente do andar desengonçado dos patos. Sentada na soleira eu via ao longe o viveiro das aves, e ficava na expectativa da cauda do pavão se abrir, mas esse era danado... coisa rara de se ver era a cauda colorida em leque daquele pavão temperamental. Quando isso acontecia alguém logo dava o sinal, e a gente corria prá ver o espetáculo, mas à medida que nos aproximávamos a cauda ia se fechando, a cada passo corrido menos uma cor à mostra... e quando chegávamos perto a cortina já estava cerrada dando fim à cena.
Havia também os faisões. Quando nasceram os filhotes muitos morreram e, os quatro que ficaram, meu pai resolveu levá-los pro apartamento até que ficassem fortes e pudessem voltar ao sítio... eu adorei! Foram crescendo e a cesta de vime ficava pequena prá eles, então improvisamos um viveiro na sala... e isso é o tipo de coisa que só quem ama os bichos consegue entender. Não demorou muito e já estávamos acostumados a vê-los voando até o alto da estante, e quando eu me sentava no sofá, prá ver televisão, sempre vinha um se aconchegar no meu ombro. Eu fazia carinho retribuindo a confiança. E com isso fui me apegando a eles, mas chegou o dia de levá-los de volta ao sítio. Alguns dias depois, já no lugar que deveria ser o lugar certo prá eles viverem, morreram. Uma chuva forte alagou o viveiro e eles não souberam se safar. Eu me afoguei também, só que em lágrimas, não foi a primeira vez que chorei pela morte de um animal... nem foi a última. Com isso aprendi que não devemos forçar a natureza dos bichos, e os pássaros, principalmente, devem viver em total liberdade, no seu habitat natural... à exceção dos cães... Deus criou o cão para viver entre nós, e assim nos conhecer melhor. Mas isso é outra história.

Eu tenho pelos animais um amor incondicional... sempre sinto compaixão por eles, o que não posso dizer o mesmo de nós, seres humanos, os animais racionais... e confesso a culpa que sinto por ser assim, porém nunca lutei contra essa natureza dos meus sentimentos, e penso que se um dia os homens prestarem mais atenção nos animais, possamos aprender com eles e, quem sabe, o mundo seja melhor prá se viver.


(...escrevo essas redações "Meus bichos" em homenagem à nossa colega Sal, por quem tenho uma admiração especial...)
Cristina Nunes
Enviado por Cristina Nunes em 05/02/2006
Reeditado em 05/02/2006
Código do texto: T108257

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Sobre a autora
Cristina Nunes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 59 anos
421 textos (32644 leituras)
9 áudios (1002 audições)
2 e-livros (97 leituras)
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Cristina Nunes