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HISTÓRIA REAL



No ano de 1994, Eu trabalhava na Escola Belarmina Fernandes com a Disciplina de Língua Portuguesa. Nessa turma tinha uma mocinha de 15 anos de idade muito bonita, mas muito triste. Comecei a dialogar com a turma sobre a importância  de colocar tudo que não temos coragem de falar com alguém, até mesmo nossos segredos mais íntimos,   que de certa forma nos alivia da tensão que sentimos  e nos evita o stress.
Que eles fizessem um relato de algo que tenha acontecido em suas vidas e  que ia contar pontos nas próximas avaliações.
A Garota levantou-se e foi me perguntar se eu guardaria segredo.
Eu respondi que tudo que passasse pelas minhas mãos  ficaria comigo como se fosse meu segredo.
Quão não foi minha surpresa! Ela contou sua vida desde os 8 anos de idade.
Começou mais ou menos assim:
Quando eu tinha 08 anos de idade, estudava nessa mesma escola, minha mãe ficou doente, ninguém sabia o que era, passou-se um ano, e nada dela melhorar, meu Pai saiu de casa. Ficamos só nós duas, ela trabalhava em casa de família, daí teve que parar por não ter mais coragem de fazer nada. Eu vinha para a escola por causa da merenda por que não tínhamos comida em casa. Vinha pra escola de manhã e a tarde eu saia pra pedir ajuda para comprar remédio para minha mãe.
Certo dia uma senhora falou que era pra gente ir pra São Luis que lá tinha hospital que tratava as pessoas de graça.
Eu pedi dinheiro na rua até conseguir o dinheiro da passagem para nós duas. Viajamos, ao chegar lá sem conhecer ninguém pedimos ajuda para chegar ao hospital, ao chegar lá minha mãe fez a consulta, exames foi então que descobriram que ela estava com câncer no útero.  Eles operaram minha mãe. No hospital minha mãe encontrou com uma parente que nos levou pra sua casa, acontece que ela também  era muito pobre e não  podia ficar nos sustentando o jeito foi eu sair pra rua pedir esmolas para ajudar nas despesas da casa. Passou-se dois anos até minha mãe ficar boa.
Ela conseguiu um emprego em uma casa de família até ganhar o suficiente pra gente voltar. Ao chegarmos aqui ela voltou a trabalhar e só então eu voltei a estudar já estava com 10 anos e fui cursar a 2ª série.  Daí que acabei junto com alguns garotos da pesada de “gangue”  mas nunca usei drogas, aos 12 anos conheci um rapaz e começamos a namorar. Ele era muito legal comigo, me respeitava  chegou até me pedir em casamento só não havíamos marcado a data.
Acontece que ele tinha outra namorada rica. Mas eu não sabia. Um dia ele me pediu uma prova de amor alegando que já estávamos noivos e não tinha nada a temer, porem eu resistir não quis ele se fingiu de magoado e foi embora. Apareceu 05 dias depois me chamou e falou que ia me levar na casa dele que suas irmãs estavam fazendo um chá de panela pra gente. Eu acreditei que ele falava a verdade, pedi um tempinho me arrumei e sai com ele. Nesse baixo aqui antes de chegar nessa escola ele parou o carro e falou que eu ia ser dele a força. Eu fiquei apavorada mas ele estava uma fera parecia um lobo me agarrou rasgou minha roupa me estuprou ali mesmo, depois me jogou no meio da estrada.
Quase morta. Ms Deus não queria que eu morresse ainda não tinha chegado minha hora, passou uma senhora me viu ali pensou que eu estivesse morta, mas quando ela mexeu comigo viu que estava viva. Com muito sacrifício me levou pra sua casa me deu um remédio, mandou eu tomar banho e me deu uma roupa de sua filha. Depois me levou para casa.
Com um mês depois fui a igreja e pra minha surpresa ele estava lá casando-se com outra.   Depois soube que o chá de panela havia acontecido de verdade mas não para nós dois e sim para ele e a outra moça com quem estava se casando.
Desde esse tempo nunca mais quis namorar ninguém, o povo fala de mim diz que sou sapatão, mas eu não ligo porque eu sei que não sou. Um dia ele terá que pagar por tudo que ele me fez.
Confesso que quando terminei de ler esse relato meus olhos estavam cheios de lágrimas por ver  uma moça tão linda com tanto sofrimento. Devolvi seu texto e ela me fez prometer que não contaria a ninguém.
Mas falei que poderia me considerar como amiga e sempre que precisasse  conversar podia contar comigo. Nos tornamos amigas ela falavam que eu era a única amiga que ela tinha mais era como se tivesse muitos amigos.

Dolores da Silva
Dolores da Silva
Enviado por Dolores da Silva em 16/02/2006
Código do texto: T112602
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Sobre a autora
Dolores da Silva
Paragominas - Pará - Brasil, 66 anos
25 textos (1163 leituras)
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Dolores da Silva