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“A POBREZA NA ATUALIDADE”

“A POBREZA NA ATUALIDADE”

Vou relatar nesse texto, acontecimentos da vida de um homem que viveu sua infância nas regiões carentes da cidade de São Paulo, cujo nome é Antonio, mas carinhosamente conhecido por todos como Toninho.
Nascido no seio de uma família humilde, seu pai, o Senhor João, que tinha como ofício a carpintaria, mas que não era possível exercê-la por motivos da doença que afetara seus pulmões, sua mãe, Dona Joana, que cuidava da pequena casa de pau-a-pique, paredes barreadas, chão batido e cobertura de sapé. Tem uma sala de aproximadamente 3X4 e a cozinha da mesma dimensão. Na sala, duas camas, uma mesa com duas cadeiras e um baú, onde era guardada a roupa. As camas feitas com ripas e, em cima das ripas, era colocado duas ou mais esteiras, na hora de dormir, de modo que ficassem bem macias.
Dormia-se sobre as esteiras, sem lençóis, que eram estendidos somente para visita considerada importante, por exemplo, quando o Pastor Maciel vinha almoçar com eles no domingo.
Marido e mulher dormiam separados, pois eram apenas duas as camas para os três membros da casa.
Toninho dormia com a mãe, e o pai Senhor João, necessitava dormir sozinho devido sua doença. A mesa praticamente não tinha utilidade, pois costumava-se comer fora da casa, com o prato na mão, sentado numa cadeira.
Apesar de tanta dificuldade, o menino crescia em graça e sabedoria, pois estudava numa pequena escola existente na região, mas que precisava de longa caminhada para sentar naqueles bancos escolares.
Inconformado com a situação em que viviam, pois a alimentação era apenas doação dos membros da igreja que Dona Joana freqüentava, Toninho resolveu fazer o que muitos dos meninos do bairro faziam. Ao findar as aulas, os meninos pegavam sacos de ráfia deixados pelos caminhões que transportavam milho para um armazém próximo a escola, e saiam para os locais povoados a procura de latas de cerveja e refrigerantes, garrafas plásticas para assim vendê-las a míseros centavos de real.
Em certa ocasião, um Senhor com uma lata de refrigerante na mão, olhou aquele menino, por sinal muito bonito, mexendo na lata de lixo do restaurante, se aproximou de Toninho e ofereceu uma vaga na empresa de reciclagem que ele era proprietário, e que ficava algumas quadras dali.
Toninho sem pestanejar, abriu um largo sorriso, e rapidamente disse que aceitaria a vaga, mas que por ser muito responsável precisava pedir autorização dos pais.
O homem percebendo que o menino tinha grande responsabilidade, ofereceu-se para ir como Toninho até sua casa para pedir a permissão de seus pais.
Após algumas trocas de palavras com os pais do menino, tudo estava consolidado, e Toninho começara a trabalhar na empresa de reciclagem.
Meses depois, o dinheiro que Toninho guardou dentro do baú, pôde ser utilizado para melhorar as condições de vida da família, e aos poucos a felicidade da família era estampada no rosto dos três, e hoje Toninho e seus pais vivem confortavelmente na casa que ele mesmo transformou num belo lar, e hoje Toninho trabalha coordenando o setor de reciclagem de alumínio que ele mesmo ajudou a criar na empresa.
Sonhos quase todos realizados com esforço, coragem, dedicação, amor, esses são alguns ingredientes que fizeram de Toninho, hoje o Senhor Antonio.






Eduardo Manoel
   Fevereiro/2005
Du
Enviado por Du em 30/03/2006
Código do texto: T131080
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Sobre o autor
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São Carlos - São Paulo - Brasil
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